Vereadores de Bandeirantes não ouvem pressão popular, ganham vaias, mas não diminuem os salários
Na última sessão extraordinária da Câmara e Vereadores de Bandeirantes (32 Km de Cornélio Procópio), a população mostrou a força da mobilização. Em pauta, o projeto que fixava os salários dos vereadores para próxima gestão (2017/2020).
No meio da sessão, em ato de protesto, a população ficou em pé e começaram a cantar o Hino Nacional Brasileiro, emocionando quem esteve no local e parando os trabalhos dos vereadores.
Retomado a sessão, os projetos foram votados um a um. Vaias foram surgindo no meio da sessão, além de gritos de “vergonha”. O povo mostrava que não estava ali para brincadeiras e esperam ser ouvidos. Quando foi anunciado o último projeto, não se pôde ouvir nada.
Vaias e muitos gritos pediam a retirada do projeto da pauta. Para tentar tranquilizar os nervos dos presentes, a Presidenta da casa, Sônia Zamboni, suspendeu por mais 15 minutos a sessão, sendo retomada em seguida; mas, novamente sem êxito, pois não podia nem ouvir os vereadores.
A população não se cansava e continuava a insistir pedindo a retirada do projeto, forçando a presidenta a suspender a sessão por tempo indeterminado.
Com pouco mais de calma, retornando a sessão, o vereador Eduardo José Serra (PHS), lembrou que já tinham pedido duas emendas nas sessões anteriores e as mesmas recusadas. “Tivemos duas sessões anteriores em que eu propus que fosse feita uma emenda para baixar para dois mil reais o subsídio. Foi apoiada pelos vereadores, Marquinhos, Rafael Chaves e Dr. Luiz, mas recusada pelo plenário . Na terça-feira (27), o vereador Marquinhos já havia entrado com outra emenda pedindo que fosse abaixado para mil e quinhentos reais, mas, novamente rejeitada”, enfatizou o vereador.
Entretanto, o discurso de pressão do povo não foi ouvido pela maioria dos vereadores que aprovaram o texto original. “Eu fui eleito para ouvir o povo e lutar por ele. Hoje, vi uma manifestação triste. A de que a maioria dos vereadores não optam por ouvir o povo. Isso é triste. Muito triste por que a Casa de Leis é a casa do povo. Se não respeitam isso, trabalham em causa própria”, destacou Dr. Eduardo.
Os vereadores Dr. Luiz, Marquinhos e Raphael Chaves (Xuxa), pediram à presidência que fosse retirado o projeto que tem prazo até abril para ser apreciado e votado, assim podendo ser analisado com mais calma.
A Polícia Militar foi chamada para acompanhar as manifestações.
Ao terminar a sessão, a população ficou do lado de fora, esperando os vereadores saírem. Aplaudiam quem votou pela diminuição e vaiavam quem manteve o texto original.
A Presidente, Sônia Zamboni, foi acompanhada pela multidão até o seu carro, aos gritos de “Fora Sônia”. Apesar da beleza da manifestação, não foi uma semana de sucesso para a população de Bandeirantes, que viu seus representantes virarem as costas para clamor popular.
Outra pauta que pediu intervenção da casa e que não teve sucesso foi com relação ao aumento da tarifa de água, que subiu 50%. O vereador Dr. Eduardo pediu com que a casa chamasse o chefe do Sistema de Água do município para explicar ao povo o porquê da elevação. Mas, a casa não aprovou o requerimento do vereador, numa ação clara de força e união contra o povo. (Redação e foto Veja Na Rede)