Uma reflexão sobre a Basílica de São João de Latrão - Por D. Manoel, Bispo da diocese de C. Procópio

Redação Anuncifácil

 

Dedicar uma igreja, é lembrar, antes de tudo, que o verdadeira Igreja somos nós mesmos, pedras vivas do edifício que tem como pedra fundamental o próprio Cristo

 

No próximo domingo, nós católicos estaremos celebrando a Dedicação da Basílica de Latrão, a catedral de Roma. Chama-se “Latrão” porque foi construída pelo imperador Constantino, no terreno que tinha pertencido à família “Laterani”. No ano 324 foi dedicada ao Divino Salvador. Na Idade Média acrescentaram-se mais dois títulos: o de São João Batista e o de São João Evangelista. Por isso, com frequência a Basílica de Latrão é também chamada Basílica de São João de Latrão. O atual edifício foi construído em tempos mais recentes e de novo dedicado em 1726. Nas dependências desta igreja realizaram-se as sessões de cinco grandes Concílios ecumênicos.

Como as paróquias celebram a festa da Dedicação da igreja catedral de sua diocese, assim a Igreja católica do mundo inteiro celebra a dedicação da catedral de Roma como aquela que, no dizer de Santo Inácio de Antioquia, “preside na caridade” as demais Igrejas.

A dedicação das igrejas é um rito muito antigo, caracterizado pelo seu aspecto festivo e popular. Quando em dezembro do ano 164 a.C, Judas Macabeu purificou o templo de Jerusalém e erigiu o altar, a festa da dedicação prolongou-se por oito dias (1Mc 4,36-59). No tempo de Esdras, por ocasião da construção do segundo templo, a festa da dedicação durou sete dias e foram sacrificados cem touros, duzentos carneiros e quatrocentos cordeiros (Esd 6,15-18).  , lembrando as primeiras dedicações, o bispo e historiador Eusébio de Cesaréia afirma: “Uma força do Espírito divino atravessava todos os membros; um só coração, idêntico e único anseio de fé; um só hino de louvor a Deus. Sim, era verdadeiramente perfeito o culto prestado pelos chefes eclesiásticos, os ritos sagrados dos presbíteros e, na Igreja, celebrações dignas de Deus, ora pelo canto dos salmos, ou pela audição das palavras que Deus nos transmitiu, ora pela realização de liturgias divinas e místicas, símbolos inefáveis da paixão do Salvador” (HE X, 3,3).

Dedicar uma igreja, é lembrar, antes de tudo, que a verdadeira Igreja somos nós mesmos, pedras vivas do edifício que tem como pedra fundamental o próprio Cristo, nosso Senhor. Assim creram nossos pais, e assim cremos nós. O Bispo Eusébio de Cesaréia, antes lembrado, assim se expressava: “Aquele que reconhecemos como Deus não julga tão importante a atividade dos que labutaram a fim de construir este edifício em comparação com o templo animado que sois todos vós e a casa constituída de pedras vivas (1Pd 2,5) e bem encaixadas, forte e solidamente erguida sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, do qual é Cristo Jesus a pedra angular (Ef 2,20). (...). Tal é, portanto, este templo vivo pertencente ao Deus vivo, que somos nós” (HE X, 4,21-22). Santo Agostinho confirma o mesmo ensinamento com estas palavras: “A solenidade que nos reúne é a dedicação de uma casa de oração. Realmente, esta é a casa de nossas orações; mas a casa de Deus somos nós (...). O que acontecia aqui, enquanto esta casa estava sendo erguida, é o que acontece agora quando se reúnem os que crêem em Cristo. (...) O que vemos aqui materialmente, nas paredes sucede espiritualmente em vosso íntimo; e o que vemos realizado com perfeição na pedra e madeira, também se realiza em vossos corpos, pela graça de Deus” (Sermão 316,1.6).

 

Dom Manoel João Francisco  

Bispo da diocese de Cornélio Procópio