Sob protestos, o pastor Marco Feliciano é eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal

Redação Anuncifácil

 

Depois de uma sessão novamente tumultuada, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que é pastor e ainda deseja ser opresidente da nação, foi eleito na manhã de quinta-feira presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Com 11 votos favoráveis e um em branco, o deputado – que fez declarações consideradas racistas e se manifestou contra a união civil entre homossexuais – tentou virar o jogo ao assumir a presidência: “Sei o que é ser discriminado”.

Nas reuniões para eleger o novo comandante da comissão – a primeira, na quarta-feira, foi suspensa devido à falta de consenso –, o deputado preferiu não responder às críticas. Na ocasião, manifestantes ocuparam o plenário e tumultuaram a sessão. Desta vez, com a população proibida de entrar no recinto, o pastor afirmou que jamais foi racista.

“Se caso houvesse cometido o crime de racismo teria de pedir perdão para a minha mãe que, apesar de não ter a cor negra, tem o sangue negro, os lábios negros. O coração dela é negro, assim como eu também sou”, disse, logo após ser eleito. Em 2011, o parlamentar escreveu no Twitter que os africanos são “acompanhados por uma maldição desde os tempos de Noé”.

Percebendo que não conseguiriam evitar a eleição do pastor, alguns parlamentares abandonaram a sessão antes do início da coleta de votos. O primeiro a sair, Jean Wyllys (PSOL-RJ), anunciou que não integrará mais a Comissão de Direitos Humanos. “Isso é uma farsa, uma manobra para destruir a comissão. Estou saindo”, afirmou, chorando. O presidente Domingos Dutra (PT-MA) também se retirou. Ele, que ainda estuda se permanecerá ou não no colegiado, culpou o presidente da Câmara pela confusão: “A responsabilidade é toda do Henrique Eduardo Alves. Ele restaurou a ditadura. Isso significa que essa Casa vai ser a do massacre. Massacre ao negro, ao índio, ao quilombola.”

Em todo o momento houve esforço por parte dos parlamentares contrários à eleição de Marco Feliciano para suspender a sessão. A deputada Érika Kokay (PT-DF) questionou a legalidade do ato convocatório, que não explicitou que a reunião seria a portas fechadas, de forma a evitar a entrada de manifestantes. Em concordância com a correligionária, o presidente da comissão, Domingos Dutra (PT-MA), chegou a se emocionar. “Não aceito. Se o povo brasileiro não pode entrar no plenário, isso é ditadura. Isso é fundamentalismo”, exaltou-se ao microfone. O quórum e a legalidade da ata também foram questionados

Em protesto um grupo de internautas iniciou uma mobilização no Facebook para promover no sábado (9) uma manifestação em 10 cidades brasileiras. Chamado de "Ato de Repúdio" à nomeação do parlamentar, o evento deve acontecer simultaneamente às 14 horas. Em São Paulo, os manifestantes devem se concentram na esquina da Avenida Paulista com a rua da Consolação.  (Com informações de Reinado Azevedo da revista Veja e do Site Bonde de Londrina)

 

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