Por falta de efetivo, carceragem da Polícia Civil de Abatiá é desativada
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Redação Anuncifácil
O delegado Tristão Borborema de Carvalho, responsável pela delegacia de Abatiá e o delegado-chefe da 12ª Subdivisão Policial (SDP), Sérgio Luiz Barroso, decidiram na quinta-feira desativar a carceragem da delegacia de Abatiá pela falta de efetivo policial para permanecer na unidade. A defasagem no quadro da Polícia Civil impede serviços básicos como alimentação diária dos presos e escoltas para hospitais. Segundo a nota divulgada, a decisão é temporária e os 12 detentos foram transferidos para outras carceragens da região.
De acordo com a polícia, quatro mulheres – todas presas por tráfico – e oito homens foram conduzidos recentemente. Ainda de acordo com a polícia, dentre os homens transferidos estão grande parte dos envolvidos na operação "Justiça Para Todos" deflagrada pela Polícia Civil em agosto e setembro deste ano que prendeu onze jovens, muitos deles de classe média da cidade, acusados de envolvimento do tráfico de cocaína e drogas sintéticas em festividades. Alguns são pertencentes a famílias tradicionais da cidade.
Desde dezembro de 2009, após determinação do então promotor Willian Buchman e da juíza Renata Maria Fernandes Sassi, a carceragem e a área administrativa da delegacia de Ribeirão do Pinhal foram desativadas por conterem rachaduras. Um laudo aponta a necessidade de demolição, já que a reforma não seria viável.
A partir desta data, os presos foram transferidos para Jundiaí do Sul, que tem instalação com capacidade para apenas oito presos, e Abatiá, unidade agora desativada que poderia receber apenas quatro presos. Os policiais foram transferidos para um prédio alugado pela Secretaria de Segurança Pública.
Falta de planejamento
Segundo o delegado Carvalho, na época, não houve planejamento. “A média da comarca era de aproximadamente 50 presos, percentual que aumentou muito com inúmeras prisões na cidade, como constantemente vem sendo noticiado”, relata. "É um contrassenso. Quanto mais prendemos, adquirimos um problema maior: a insuficiência de nossa estrutura para absorver a demanda de presos", assinala Tristão.
O delegado explica que realizou reparos nas duas unidades prisionais da cidade. Em Abatiá, os muros foram elevados e foi construída uma cela separada para abrigar até quatro mulheres. Em Jundiaí do Sul, as celas foram reforçadas, o muro foi aumentado, além da instalação de alarme, cerca elétrica, grades, concertinas e monitoramento por câmeras. Também foram construídos mais uma cela seguro e um banheiro para os plantonistas.
O delegado lembra que, desde o dia 6 de março deste ano, que o Setor de Carceragem de Jundiaí do Sul está interditado pelo juiz Sérgio Bernardinetti, porém a falta de um lugar adequado para receber os presos fez com que a decisão não fosse cumprida.
As principais críticas com relação à carceragem são: local ermo, sem pavimentação asfáltica nem rede de esgoto, proximidade com saída da cidade e ausência da presença constante da Polícia Militar na cidade para apoio imediato, situação que o Governo do Estado prometeu que irá resolver em 2013.
Fugas
Com a saída da Polícia Militar, que ocupava o prédio em Jundiaí do Sul, houve a necessidade de permanecer um plantonista da Polícia Civil e com isso as fugas ,que eram constantes, diminuíram. Mas mesmo assim, na madrugada de domingo (23), onze presos fugiram por um túnel aos fundos e até agora dois foram recapturados.
O delegado explica que já enviou dezenas de ofícios para o juiz da comarca e para chefia da Polícia Civil para remoção dos presos. Mas, desde a criação da Central de Vagas (Resolução conjunta 03/2012) não ocorreram mais transferências, o que provocou a superlotação.
“Só em 2012, 30 presos foram transferidos para penitenciárias. Caso não nos movimentássemos esse ano teríamos cerca de 70 presos num espaço que cabem 10. Isso aumentaria o risco de fugas, rebeliões e indisposição entre os detentos", explica.
Segundo parecer da Divisão de Infraestrutura da Polícia Civil, a construção de outra Delegacia Cidadã para Ribeirão do Pinhal para o ano que vem está em fase de planejamento. Porém, como a intenção do governo estadual é desativar carceragens em delegacias, o novo prédio deverá contar com apenas uma pequena cela para abrigar os presos durante a lavratura do auto de prisão em flagrante. “Até lá, a comarca de Ribeirão do Pinhal continuará com essa situação dramática”, lamenta Carvalho. (Redação JNN, com informações da Tribuna do Valle)

