Por dia, 17 casas são roubadas no Paraná

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Redação Anuncifácil

 

O número de assaltos a residências no Paraná cresceu 20% nos primeiros oito meses deste ano em relação ao mesmo período de 2011. O estado já contabiliza, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), 4.126 roubos a moradias (quase 17 por dia), contra 3.434 no ano passado. Em 2011, ao todo, foram 5.157 casos. Curitiba é a cidade com o maior número de crimes desta natureza. De janeiro a agosto foram 1.331 ocorrências – 19% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Diferentemente do furto, o roubo se caracteriza pelo uso de violência ou ameaça. No caso do assalto domiciliar, os moradores em geral são surpreendidos pelos ladrões dentro de casa ou abordados no portão. A impunidade e a falta de infraestrutura policial para investigar são apontadas como as principais causas para o aumento desse tipo de crime.

Cultura do medo

Ter o lar violado por assaltantes aumenta a sensação de insegurança de toda a sociedade, principalmente quando eles agem de forma violenta – seja física ou psicológica. “O impacto fica para a vida inteira. Muitos terminam vendendo a casa e indo morar em outro lugar. A população acaba com medo de ficar em sua própria casa”, diz o sociólogo Pedro Bodê.

Segundo o delegado-adjunto da Delegacia de Fur­tos e Roubos de Curitiba, Guilherme Rangel, a maioria dos ladrões é reincidente. “Penas brandas e progressão de regime contribuem para o aumento desse tipo de assalto. Grande parte das pessoas que compõem essas quadrilhas já foi presa e está em regime semiaberto ou aberto”, ressalta. Rangel diz ser importante investir mais na formação de equipes de inteligência para atuar nas investigações. “Esse ponto é fundamental para a polícia conseguir desvendar esses crimes”, afirma.

Para o sociólogo Luís Flávio Sapori, do Centro de Estudos e Pesquisa em Segurança Pública da Pontifícia Uni­versidade Católica de Minas Gerais, também é preciso dar mais atenção ao policiamento ostensivo e preventivo para coibir esse tipo de delito. “Apenas dessa forma é que se torna possível reduzir os roubos a casas”, afirma. Na opinião dele, não adianta culpar a progressão de pena, porque isso é um benefício previsto em lei. “O que deve ser criado é uma forma de monitorar esses criminosos depois que saem da cadeia. A polícia deve estar preparada para isso”, ressalta.

O sociólogo Pedro Bodê, coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pú­bli­ca e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná, diz que a polícia deve concentrar esforços para identificar e desarticular os esquemas de receptação dos bens roubados. “Tem todo um circuito completo e complexo para esses crimes continuarem acontecendo. Cabe às autoridades policiais investigar todo esse esquema”, diz.

Interiorização

No interior do estado, o ín­­dice de roubos a moradias au­­mentou em metade das dez cidades que mais registram esse tipo de crime. Foz do Iguaçu e Londrina, por exem­­plo, tiveram aumentos de 41% e 39%, respectivamen­­te, no período analisado. Na Grande Curitiba, Piraquara e Pinhais também registraram altas significativas – 34% e 23%.

“Isso significa que a violência está se interiorizando. Cidades-polo e municípios em desenvolvimento atraem assaltantes e o número de crimes aumenta. Essas quadrilhas escolhem locais que estão gerando capital”, explica o sociólogo Lindomar Boneti, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Para ele, não basta investir em repressão. “É necessário ter uma educação de qualidade e geração de empregos. Onde o serviço público está presente, o número de delitos tende a ser menor”, aposta. (Redação Gazeta do Povo)