POKÉMON GO agita C. Procópio, motorista aproveita para lançar “poketaxi” e é desataque na Folha de Londrina

Uma novidade que chegou há pouco em terras brasileiras tem mexido cada vez mais com a rotina de jovens, crianças e adultos de Cornélio Procópio. Trata-se do jogo Pokémon Go, que foi lançado no último dia 3 no Brasil e conquistou rapidamente milhares de adeptos País afora.

Pokémon Go é um jogo eletrônico de realidade aumentada, que pode ser baixado e utilizado gratuitamente em smartphones. Utilizando o GPS e a câmera de dispositivos compatíveis, o jogo permite aos usuários capturar, batalhar e treinar criaturas virtuais, chamadas de pokémons, que aparecem nas telas de dispositivos como se fossem no mundo real. O novo game virou febre mundial e já garantiu mais de 100 milhões de downloads.

Desde o seu lançamento, o jogo tem movimentado intensamente alguns locais de Cornélio Procópio, já que os usuários são obrigados a caminhar pelas ruas da cidade em busca dos pokémons, bem como frequentar os pokéstops, que são lugares estrategicamente localizados no mapa, geralmente pontos turísticos ou monumentos públicos, onde os jogadores podem ir para capturar mais itens para o jogo.

Alguns jogadores chegam a permanecer um longo período do dia nestes locais, que antes passavam despercebidos e não eram frequentados habitualmente pela maioria da população.

Em Cornélio Procópio, foram registrados cerca de seis pokéstops no mapa do jogo. Um deles, o que mais tem sido procurado pelos usuários, é a Praça da Igreja Matriz, localizada no centro da cidade. Ali, em qualquer hora do dia, aglomeram-se crianças, jovens e adultos em busca de diversão.

A manicure Camila Souza recorda que o Pokémon fez parte da infância dela, e que considera interessante o movimento que o jogo tem causado na praça da igreja. "Eu conheço várias pessoas que não saiam de dentro de casa, que não vinham aqui conversar e conhecer gente como acontece hoje". Para ela, antes as praças da cidade não tinham muita utilidade, e o máximo que todo mundo conhecia como principal ponto turístico de Cornélio era o monumento do Cristo.

Fabio Laneiro, autônomo, veio acompanhar o filho João Vitor de 13 anos em sua primeira caça aos pokémons pela praça da igreja. Ele acredita que o jogo tem aproximado mais os dois, e que considera importante saber mais sobre o mundo do filho. "Em casa, temos três crianças, e todos ficam lá só no celular dentro do quarto. E agora, eles saíram e se libertaram do vídeo, e estão aqui conversando com um amiguinho e interagindo", diz ele, que também baixou o jogo em seu celular, e se diz espantado com o sucesso repentino do game.

O diretor-auxiliar Dennis William Nori relata que, no colégio onde ele trabalha, já existe um projeto sobre educação patrimonial da cidade, e que o jogo também traz esta valorização dos espaços públicos. "Aqui na praça da catedral, por exemplo, era um lugar que não era frequentado por jovens. Apenas vinham as pessoas que estavam na missa. Com o Pokémon Go, a aglomeração de jovens aqui o dia todo é tão grande, que, por mais que a pessoa venha por conta do jogo, não tem como ela deixar de apreciar a beleza da arquitetura da catedral. Assim acontece nos outros pokéstops também, que estão valorizando monumentos da cidade", afirma.

Ele, que também é usuário do jogo, considera interessante o modo como as pessoas estão socializando e saindo de casa por conta do Pokémon Go. "O jogo está colocando as crianças, jovens e adolescentes para andar. Faz parte da mecânica do jogo o caminhar. E se isto está colocando as pessoas para fora, por que não valorizar o lado bom do jogo, ao invés de ficar criticando quem aderiu a essa moda? Dizem que é um jogo alienante, mas se a gente parar para pensar, o consumismo, o trabalho, e a própria televisão também são alienantes", completa.

Nori é um dos organizadores de um evento que pretende reunir os jogadores da cidade em uma caçada coletiva de pokémons, no próximo dia 20, na praça Botafogo. "Nosso objetivo é reunir o maior número de jogadores num lugar só, e fazer com que as pessoas se socializem e que troquem ideias sobre o jogo", afirma.

Foram agendados também para os próximos dias encontros de usuários do jogo em outras cidades da região como Santo Antônio da Platina, Bandeirantes e Jacarezinho.

 

 

OPORTUNIDADE

Curiosamente, o jogo também fez com que o motorista Alex Fernando Rozeno (foto),  despertasse para uma oportunidade de ganhar uma renda extra. Ele, que já trabalha diariamente como vendedor de gás pelas ruas da cidade, teve a ideia de oferecer um serviço de transporte aos usuários do jogo, o qual ele batizou de "poketaxi".

Rozeno relata que teve a ideia por conta da sua sobrinha, que queria sair na rua para capturar as criaturas virtuais, porém o pai dela não deixou, por considerar o perigo de andar na rua com o celular na mão. Foi, então, que ele levou a sobrinha para dar uma volta pela cidade em busca dos desejados pokémons. "Aí eu pensei que deve ter um monte de gente que os pais também não deixam. Eu trabalho como segurança também, então pode ter certeza que se alguém sair do carro, ninguém vai mexer com o celular de ninguém", afirma.

"Minha profissão já é dirigir, então pensei em pegar mais uma oportunidade. Na crise que está, se você conseguir pegar mais um dinheirinho extra já está bom", declara ele, que estava em seu segundo dia de trabalho no "poketaxi" e vibrava com a conquista dos seus quatro primeiros clientes. Rozeno cobra R$ 35 por hora e, caso seja lotação de três ou quatro pessoas, o valor da hora cai para R$ 15 por pessoa e garante que passa por todos os pokéstops da cidade. "Vou andando bem devagarzinho, porque senão não dá tempo de parar para a pessoa pegar o Pokémon", finaliza. (Reportagem e fotos de Carol Santos - Especial para a FOLHA DE LONDRINA / Imagens do jogo colhidas na internet)