Paraná já tem 20 municípios com mais de 100 mil habitantes

O Paraná já tem 20 municípios com mais de 100 mil habitantes, segundo o Censo de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Percentualmente, o índice é baixo, representando apenas 5% dos 399 municípios instalados no Estado. Mas em números absolutos, é o quarto da lista entre os Estados brasileiros com cidades acima de 100 mil moradores, atrás de São Paulo (76 municípios), Minas Gerais (31) e Rio de Janeiro (26). Os últimos municípios paranaenses a passar dos 100 mil habitantes foram Cambé (Região Metropolitana de Londrina) e Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) – os outros 18 já tinham essa marca no Censo de 2010 do IBGE.

E isso é bom ou ruim? O professor do departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Porsse, diz que o fenômeno do aumento populacional no Estado pode ter um viés positivo sob o ponto de vista econômico, uma vez que municípios com mais moradores têm mais capacidade de atrair novos investimentos. "São fatores que estão diretamente ligados a um mercado de trabalho bastante ativo", observa. De outra forma, avalia o professor, os problemas sociais tendem a aumentar na mesma proporção quando a rede de serviços dessas cidades não está estruturada o suficiente para absorver a maior demanda.

O ideal é que o crescimento populacional venha acompanhado de um planejamento urbano, social e econômico. "É necessário haver um planejamento de políticas públicas a longo prazo para garantir o desenvolvimento dessas cidades e para atender essas demandas sociais que vêm surgindo a partir do momento em que a população aumenta. Investir em mobilidade urbana, propiciar uma rede de educação apta a receber essa população, para evitar que fenômenos sociais dessa natureza surjam com efeitos negativos, como a violência", aponta Porsse.

Mais de 70% dos municípios paranaenses têm menos de 50 mil habitantes. E para o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Luiz Lázaro Sorvos (PDT), esse é um cenário ideal. Ele próprio prefeito de uma cidade com cerca de 5.500 moradores (Nova Olímpia, no Noroeste), Sorvos vê com ressalvas a escalada populacional verificada nas cidades de médio porte no Estado. Campo Mourão (Noroeste) e Fazenda Rio Grande (Região Metropolitana de Curitiba) já passaram dos 90 mil habitantes. Sarandi (Região Metropolitana de Maringá), Paranavaí (Noroeste) e Francisco Beltrão (Sudoeste), todas comais de 85 mil, estão quase lá.

"Eu acho ideal que as cidades tenham até 50 mil habitantes. Na pior da hipóteses, no máximo 100 mil. É melhor para prestar o serviço, administrar os recursos e mais tranquilo para trabalhar com os equipamentos sociais. As cidades crescem de forma desorganizada, depois ficam faltando infraestrutura e todas as ferramentas sociais, e isso não é bom", argumenta. Sorvos cita o desemprego e a violência como principais problemas das maiores cidades e que poderiam ser minimizados se houvesse mais investimento nos municípios menores. "O ideal seria que o emprego fosse distribuído entre os municípios pequenos. Assim, fixaríamos mais pessoas em cidades pequenas, evitando o inchaço nas grandes cidades", prossegue. Na avaliação do professor Alexandre Porsse, o crescimento das cidades é um fenômeno nacional. São mais de 300 municípios brasileiros com mais de 100 mil moradores. "O saldo depende de como cada cidade tem respondido às políticas de desenvolvimento", observa. No caso do Paraná, os índices de desenvolvimento humano mais elevados estão justamente entre as 20 maiores municípios, segundo dados de 2010 do IBGE. Curitiba tem o mais alto, 0,823, e Piraquara, o menor, 0,700 (quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano).

O prefeito de Cambé, João Pavinato (PSDB), avalia positivamente o aumento populacional do município vizinho a Londrina, que no ano passado passou dos 103 mil habitantes, segundo o Censo do IBGE. "Para nós é algo importante, porque demonstra que o município está crescendo, e não é apenas uma questão de aumento populacional, mas também em termos de qualidade de vida. Graças a todas as políticas públicas feitas há bastante tempo, temos alguns indicadores importantes que mostram isso", afirma, mencionando que Cambé obteve índice de mortalidade infantil abaixo das dez mortes por mil nascidos vivos, como preconiza a Organização Mundial de Saúde (OMS), e possui 100% de água tratada e 90% de esgotamento sanitário. (Reportagem: Diego Prazeres para a Folha Web)