Operação contra suspeitos de lucrarem mais de R$ 10 milhões com venda de cirurgias bariátricas prende 16 pessoas no Paraná
Catorze pessoas foram presas em uma operação da Polícia Civil, na terça-feira (6), contra uma quadrilha suspeita de envolvimento na venda de cirurgias bariátricas, realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.
De acordo com as investigações, os suspeitos furavam a fila de espera pela cirurgia, com a ajuda de várias pessoas envolvidas, e lucraram mais de R$ 10 milhões com a venda dos procedimentos.
Além dos 14 presos, mais três pessoas também foram detidas em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Trinta e cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos na operação.
Entre os presos estão dois médicos, técnicos de enfermagem, donos de pousadas, aliciadores, um auditor fiscal da uma regional da Secretaria de Saúde do Paraná (SESA), em Curitiba, e um vereador de Taquarituba, no interior de São Paulo, segundo o delegado Thiago Nóbrega.
"Esse esquema é investigado há muitos anos. Nós temos informações de denúncias já a partir de 2017 e acredito que agora apareçam mais", afirmou o delegado. Ele disse que as denúncias partiram de alguns pacientes e do Ministério Público do Paraná (MP-PR).
Conforme as investigações, o grupo criminoso entrava em contato com pessoas interessadas pela cirurgia por meio de redes sociais ou indicações. Os pacientes, muitas vezes, estavam aguardando há anos na fila para serem operados pelo SUS e acabavam aceitando pagar até R$ 3 mil pelas cirurgias, que deveriam ser gratuitas, ainda conforme a Polícia Civil.
As investigações apontam ainda que a quadrilha conseguisse receber em duplicidade os valores pagos pelo SUS ao hospital pelas bariátricas.
Os suspeitos são investigados por organização criminosa, extorsão, falsidade ideológica, uso de documento falso e concussão.
Em nota, o Hospital Angelina Caron disse que não realiza qualquer tipo de cobrança de paciente para os procedimentos feitos pelo SUS.
O hospital realizou dois boletins de ocorrência na Delegacia de Polícia de Campina Grande do Sul, em maio de 2019 e em janeiro de 2020, sobre denúncias recebidas acerca de cobrança e privilégio de atendimento em caso de paciente candidato a cirurgia bariátrica.
A SESA disse que lamenta que práticas irregulares e distorcidas no atendimento do sistema público de saúde ainda aconteçam e que vai colaborar no esclarecimento dos fatos.
A secretaria de Saúde disse ainda que abriu procedimento interno para apurar possíveis ilegalidades e que se for comprovada qualquer irregularidade, os envolvidos sejam responsabilizados. (G1 Paraná/Foto: Polícia Civil)
