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Número de presos com formação universitária dobrou nas prisões do Paraná

Por Redação Anuncifacil -

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IMAGEM ILUSTRATIVANúmero de presos com formação universitária dobrou nas prisões do Paraná

 

Em cinco anos, mais do que duplicou o número de presos paranaenses com formação universitária. Não há estudos sólidos a respeito, mas tudo indica que avanço se deve ao envolvimento dos mais escolarizados com o tráfico

Dados do Ministério da Jus­­tiça (MJ) mostram que entre 2005 e 2010 aumentou em 113%, no Paraná, a população carcerária com diploma de ensino superior. No mesmo período, no estado, o número de pessoas que conquistaram um diploma cresceu 48%, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda nesse intervalo, o total de presos no Pa­­raná subiu 92%.

 

Maus lençóis

A aproximação das classes média e alta (maioria entre os universitários) com o tráfico começa com a dependência química. “Quando precisa de droga, o filho do rico não pede dinheiro à família. Ele contrai uma dívida com o traficante e, para pagá-la, é impelido a trabalhar para o tráfico e acaba preso”, ilustra o especialista.

A professora Sandra Regina de Abreu Pires, do Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina e pós-doutora em Ciências Criminais, ressalta que o grau mais elevado de instrução acaba sendo uma ferramenta importante para o tráfico. “O crime está cada vez mais organizado e o tráfico exige uma logística bem articulada”, pondera.

Sandra chama a atenção para outra mudança no perfil dos traficantes: a participação mais ativa das mulheres (veja ao lado). “Elas sempre tiveram o tráfico como crime casual. Agora, têm aumentado a participação como membros e até chefes de quadrilhas, não mais como apêndice do companheiro”, observa. Os dados do Ministério da Justiça mostram que o aumento no número de mulheres com nível superior entre os presos foi maior do que o de homens.

 

Sem sucesso?

Em paralelo ao avanço das drogas nas classes mais abastadas, deve-se considerar a democratização do ensino superior. Para o doutor em Direito Jacinto Nelson de Miranda Coutinho, esse pode ser mais um fator que contribui com as estatísticas. “O sujeito se esforça para custear uma faculdade e depois se frustra com o mercado de trabalho, que não dá a resposta que ele esperava”, afirma, sobre aspectos a serem investigados.

Para Coutinho, a divulgação do aumento de presos diplomados pode servir como alerta para aqueles que se deparam com um mercado pouco favorável. “Foi-se o tempo em que o sujeito que tem curso superior não era apanhado”, pondera.

 

 

Redação Anuncifácil

Fonte: Gazeta do Povo