No Paraná, cães e cavalos ajudam a tratar doenças psicossomáticas, deficiências, câncer e Parkinson

Redação Anuncifácil

 

Pacientes de doenças como Parkinson, Alzheimer, câncer, autismo, síndrome de Down, depressão, alcoolismo e também outras patologias relacionadas ao sistema neurológico contam hoje com um complemento ao tratamento. A chamada Terapia Assistida por Animais (TAA) pode utilizar gatos, coelhos, tartarugas, chinchilas, cães e cavalos para amenizar os sintomas e ajudar na melhora dos doentes. Fundamentalmente, a TAA trabalha com a interação homem-animal para obter benefícios biopsicossociais, ou seja, vantagens físicas, psicológicas e também sociais daqueles que viram a vida mudar após a descoberta de uma doença.

Os resultados emocionais são visíveis ainda durante as sessões de TAA. Em Curitiba, o projeto “Amigo Bicho” leva essa alternativa para nove instituições, entre hospitais, escolas especiais e orfanatos. Na Associação Paranaense dos Portadores de Parkinsonismo (APPP) mensalmente voluntário "emprestam" os cães de estimação para atividades com portadores de Parkinson. De forma lúdica e com as reações inesperadas dos animais, as sessões com foco no aspecto motor ganham outra dimensão.

As sessões são coordenadas pela terapeuta ocupacional Andressa Chodur, de 30 anos. Ela explica que, quando se fala em TAA, as pessoas tendem a assimilar com mais facilidade os possíveis benefícios psicológicos e emocionais, entretanto, ela enfatiza que toda a atividade desenvolvida é pensada para contribuir com o tratamento convencional. No caso dos portadores de Parkinson, a TAA é direcionada para a questão motora. Ela lembra que apesar das pessoas relacionarem a doença ao tremor, a lentidão e a rigidez dos membros são o que mais incapacitam o doente. Por esse motivo, as ações feitas de forma automática pelo organismo acabam sendo prejudicadas.

Na sessão, os doentes fazem exercícios que estimulam o alongamento dos braços e das pernas, trabalham a postura, o fortalecimento de algumas regiões do corpo e a coordenação fina (movimentos menores e mais detalhados).

De qualquer forma, Andressa também valoriza a questão emocional. Segundo ela, como o Parkinson oscila muito, os efeitos psicológicos perduram mais. “Eu já vi paciente que estava cadeirante pegar e levantar durante a sessão. Já a questão emocional vai perdurar mais, eles saem daqui mais animados e isso perdura pelos próximos dias”.

De acordo com a veterinária Letícia Séra Castanho, que é a coordenadora e a fundadora do projeto “Amigo Bicho”, a TAA faz com que o organismo libere substancias específicas. “Estudos mostram que apenas cinco ou 10 minutos de contato com o animal, faz com que o corpo libere substâncias como a prolactina e ocitocina que causam a sensação de bem estar, diminuindo o stress, o mau humor, a tristeza, a ansiedade e também reduzindo o tempo de internamento em hospitais e, desta forma, ajudando a responder melhor as terapias convencionais. Os animais de comportamento dócil trazem ao ser humano momentos de felicidade e é nestes momentos que as pessoas deixam de lado seus problemas e angústias”, explica.

Ainda que a TAA possa ser desenvolvida com diversos animais, Castanho destaca que o cão tem um amor incondicional pelo ser humano. Isso, na avaliação dela, acaba sendo um elo importante para as terapias.

Todo o trabalho é voluntário. Aquele que tiver cão de estimação pode participar desde que o animal seja saudável e esteja com todas as vacinas e vermífugos em dia. É preciso que o cachorro seja dócil. Antes de animal começar a auxiliar os doentes, ele passa por um teste comportamental e de saúde no Hospital Veterinário Batel, onde Castanho trabalha. Se todos os pré-requisitos forem atendidos, o novo voluntário fará uma visita experimental e, se tudo correr bem, ele estará apto a iniciar as atividades nas instituições atendidas pelo projeto.

O uso de cavalos para a complementação de terapias convencionais pode ocorrer para diferentes doenças, desde que não

haja nenhuma contraindicação. O Instituto de Atendimento e Pesquisa em Equoterapia, conhecido como Andaluz, que fica emCuritiba, utiliza a técnica principalmente para tratar pacientes com paralisia cerebral. Contudo, autistas, pessoas que passaram por uma AVC, que tiveram alguma lesão medular ou ainda outras síndromes com comprometimento motor e cognitivo também podem aderir a equoterapia.

Os benefícios mais relevantes, acrescenta a fisioterapeuta, é o ganho do equilíbrio de cabeça, de tronco, de associação de cinturas – movimento que fazemos quando andamos - e coordenação de movimentos. A fisioterapeuta lembra da socialização, que melhora por meio dos vínculos com o cavalo e com as terapeutas responsáveis pela sessões.

O recomendado é que a equoterapia seja feito por, no mínimo, seis meses para trazer resultados. Ainda assim, Matos lembra que a fisioterapia convencional é indispensável. Todavia, os pacientes não ganham alta. “Não existe um tempo determinado. Algumas crianças fazem como uma prevenção. Em outras, a gente consegue atingir o ponto de uma marcha independente. A criança está bem independente nas atividades da vida diária, então, elas param de fazer o cavalo e vão fazer outro tipo de esporte”, comenta a fisioterapeuta.

Basicamente, não existe uma restrição para o uso da equoterapia. No caso de idosos, porém, não é recomendado principalmente se o paciente tiver osteoporose ou artrose. O empecilho ocorre porque, como o tratamento é com cavalos, pode ocorrer algum movimento brusco que se torne perigoso.

Quanto às crianças, o tratamento não pode ser feito naquelas com paralisia cerebral que possuam luxação de quadril ou escoliose superior a 30º. Eliminando-se esses aspectos, desde que o médico emita um laudo atestando que não existe comprometimento ósseo algum ou qualquer problema na coluna vertebral e que o crescimento ocorre normalmente, qualquer criança pode fazer a equoterapia. Matos lembrou que já teve paciente que começou as sessões com um ano e nove meses.

Por ser uma ONG, 60% dos pacientes pagam pelo treinamento. Esse recurso é utilizado para a manutenção do espaço e para arcar com a equoterapia dos demais pacientes.

 

Serviço

- Projeto “Amigo Bicho” – Instituições e pessoas interessadas em ser voluntárias podem entrar em contato pelo telefone 3039 6644 ou por e-mail [email protected].

- O Instituto de Atendimento e Pesquisa em Equoterapia (Andaluz) – (41) 3027-1666. (Redação G1 Paraná /Foto: Bibiana Dionísio)