Na era digital, PM ainda enfrenta problemas de comunicação no Paraná

Redação Anuncifácil

 

A defasagem dos sistemas usados na comunicação policial tem gerado problemas diários na repressão a crimes no Paraná. Além disso, a falta de investimento no setor pode ser um ponto de vulnerabilidade da Segurança Pública durante os jogos da Copa do Mundo em Curitiba. Atualmente, apenas o 13º Batalhão da Polícia Militar (PM), na capital, trabalha com o modelo digitalizado no Estado. O restante da corporação utiliza o sistema analógico, sem rádios HTs. Com isso, quando os agentes estão longe das viaturas, a interlocução fica restrita ao celular.

A compra de HTs para a tropa que trabalhará na segurança da Copa na capital é uma contrapartida ao investimento que passa dos R$ 20 milhões da Secretaria Extraordinária de Segurança de Grandes Eventos (Sesge), ligada ao Ministério da Justiça. O Batalhão de Operações Especiais (Bope), unidade de elite da PM, também não trabalha com os HTs.

No dia a dia que antecede a Copa, policiais reclamam da comunicação. Um deles, do 20º Batalhão, que atende parte da região norte e leste de Curitiba, lembra que o sistema analógico dificulta o trabalho. “Tem momentos em que não dá para falar nem ouvir nada.”

Segundo o doutor em Telecomunicações da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Horácio Tertuliano Filho, o sistema analógico é um problema a ser superado para evitar preocupações nos grandes eventos esportivos no País. “No digital, a viatura pode enviar e receber imagem, além de voz com boa qualidade”, explica. Ele lembra que usar os rádios no sistema analógico é limitá-los a transmissão de voz, com qualidade ruim.

Além disso, a comunicação analógica permite que qualquer um, com um rádio HT, possa encontrar a frequência da polícia, o que deixa os agentes expostos a qualquer tipo de ação criminosa. Se não há sinal, a central da polícia precisa telefonar para passar a informação. Atualmente, a maior parte das viaturas da PM nem possui GPS. Os policiais usam equipamentos particulares nos veículos.

Desde 2008, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) alerta em resoluções que não renovaria mais autorizações para o sistema analógico. Por isso, o Paraná tem estudado e debatido a transição de sistemas de comunicação no órgão interestadual Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras (Enafron). A mudança já começou, mesmo que lenta e com alguns obstáculos financeiros. Há vários projetos em andamento para expandir a estrutura digital para a região metropolitana de Curitiba, de fronteira e as grandes cidades no Estado. (Redação Jornal de Londrina)