Médicos do Paraná participam de mobilização nacional

Redação Anuncifácil

 

Médicos e estudantes de Medicina participam na quarta-feira (3), em pelo menos 11 municípios do Paraná, da mobilização nacional contra o plano do governo federal de trazer profissionais estrangeiros ao Brasil para trabalhar com atenção básica à saúde em cidades do interior.

Em Curitiba, o protesto começou por volta de 10h30, na Boca Maldita, no centro, de onde os manifestantes seguiram em direção ao prédio central da Universidade Federal do Paraná (UFPR), na Praça Santos Andrade. Já em Londrina, as ações estão programadas para ocorrer a partir das 19h, com concentração em frente à Associação Médica (confira abaixo a programação nos demais municípios do Estado).

Com jalecos e roupas brancas, cerca de dois mil manifestantes, segundo estimativa do Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-PR), participaram do ato na capital. "Nós não somos contra a ‘importação’. O que somos contra é a vinda de profissionais sem a análise de sua eficiência, tanto da Língua Portuguesa, como da questão técnica. E também queremos mostrar a indignação com os rumos que a saúde pública está tomando. Não é o médico que é o responsável por isso, e sim os gestores", argumentou o presidente do CRM-PR, Alexandre Bley.

Apesar de apoiarem a mobilização, as entidades hospitalares indicaram que não houve paralisação dos serviços assistenciais, sobretudo os de urgência e emergência. Instituições como a Santa Casa e o Hospital Universitário Cajuru, da Aliança Saúde, informaram que reordenaram suas agendas eletiva (de procedimentos não urgentes) e de consultas para amenizar possíveis transtornos aos pacientes.

O presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), João Carlos Baracho, disse que a classe se sentiu desrespeitada com "essa visão muito parcial de que se resolve tudo importando médicos". De acordo com ele, o problema da saúde é "muito maior" e inclui a falta de financiamento do setor público, principalmente do governo federal, que não estaria investindo 10% do seu orçamento em saúde. "Nós temos certeza que o médico irá para o interior a partir do momento em que exista infraestrutura – postos de saúde equipados, serviços de qualidade de atendimento e laboratórios para se fazer um bom diagnóstico".

Para a anestesiologista Paloma Rincon, a manifestação é também pela falta de consideração dos governos com a saúde pública. "Não somos contra a vinda de médicos. Mas eles devem fazer o Revalida (exame de revalidação do diploma). E hoje, o médico que vai para o interior no primeiro mês recebe, no segundo recebe, no terceiro já não recebe mais. Então, o que é preciso é de uma política de carreira, como acontece com outras profissões".

Estudante do quinto ano de Medicina na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Mariano Rodrigues também defende a realização do Revalida, como forma de garantir "qualidade". "E outro ponto é que não adianta trazer milhares de médicos se eles não tiverem as mínimas condições de trabalho". Ele diz que pretende ser clínico geral e que não veria problemas em trabalhar no interior. "O governo federal vem investindo no Programa Saúde da Família (PSF) e tem sido atraente (do ponto de vista financeiro), mas desde que haja condições", completou.

Segundo estudo divulgado pelo Ministério da Saúde, o Brasil tem hoje uma média de 1,8 médico para cada mil habitantes, índice que estaria abaixo de outros países latino-americanos, como Argentina (3,2) e México (2). Para igualar-se à média de 2,7 médicos por mil habitantes registrada na Inglaterra, país utilizado como referencial, por possuir, depois do Brasil, o maior sistema de saúde público de caráter universal orientado pela atenção básica, o Brasil precisaria ter hoje, portanto, mais 168.424 médicos.

Além da "importação" de estrangeiros, o ministério propõe o fortalecimento do Programa de Valorização da Atenção Básica (Provab), que oferece bolsa mensal de R$ 8 mil e bônus de 10% na prova de residência, e o abatimento de 1% ao ano da dívida do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES) para médicos que atuarem na atenção básica. (Redação Bonde)