Mãe é presa pela morte do filho em cidade de São Paulo

Redação Anuncifácil

 

A polícia prendeu na segunda-feira (10), uma mulher de 33 anos, em Mogi das Cruzes (SP), por causa da morte do filho dela, de 9 anos. O corpo de Matheus Dias da Silva foi achado no apartamento da família, em um condomínio de classe média. A suspeita é de que ele ingeriu veneno que havia sido preparado para a mãe se matar. Ela foi levada ao hospital com os pulsos cortados e em estado de choque.

De acordo com o delegado Argentino da Silva Coqueiro, a principal hipótese é de que a esteticista tentou se matar ingerindo chumbinho e que o menino tomou o veneno depois de vê-la caída. "O frasco com chumbinho estava vazio. Ela misturou o veneno com um medicamento para se matar, mas dos quatro comprimidos que fez tomou apenas dois. Os outros ficaram em cima da cama. O menino tinha apenas 9 anos e ao ver a mãe desmaiada no chão deve ter entrado em desespero e achado que ela estava morta. Então, ele tomou o veneno", diz o delegado.

A polícia acredita que a mulher apenas desmaiou e que, ao acordar na manhã desta segunda, viu o filho morto, cortou os pulsos e feriu o próprio abdômen e pescoço. "Quando acordou ela se desesperou ao ver o filho morto e tentou se matar pela segunda vez com uma faca na cozinha."

Segundo Coqueiro, a polícia pediu a prisão por homicídio com dolo eventual. "Ela pode não ter tido a intenção, mas assumiu o risco de matar a criança no instante que deixou o veneno exposto. Isso foi um descuido", afirma. "O menino não tinha sinais de violência nem perfuração de faca. Encontramos cianose na boca, uma descoloração azulada, que indica envenenamento".

A polícia apreendeu no apartamento várias cartelas de remédios, celulares, a faca de cozinha usada pela mulher para se ferir e um vidro vazio, onde, segundo a esteticista, estava o chumbinho.

O corpo de Matheus foi encontrado por uma colega de academia da suspeita. Elas se conheciam há sete meses. Ao chegar ao condomímio, a mãe de Matheus abriu a porta suja de sangue e cambaleando. "Quando entrei vi o corpo do menino. Fiquei chocada. Então chamei os funcionários do prédio", diz a amiga que não quis se identificar. "Ela era uma pessoa super comunicativa. Não imaginava nada disso."

A amiga foi chamada pelo atual companheiro da suspeita, o analista Mauro César de Souza, com quem dividia apartamento há três anos. O casal havia discutido. "No sábado de manhã eu sai e disse que ia fazer mercado e depois ia embora. Voltei, guardei as coisas, coloquei nas roupas no carro e fui embora. Ontem à noite ela deu um toque no meu celular, mas eu não atendi. Hoje de manhã ela me ligou dizendo que o Mahteus estava morto. Dai liguei avisei uma amiga dela, porém, eu não estava acreditando. Nisso eu vim para Mogi das Cruzes e fiquei sabendo de tudo", afirma.

Souza afirma que a esteticista era uma excelente mãe. "Eu nunca vi mãe melhor. Ela é uma pessoa maravilhosa. Eu estou tentando entender até agora o que aconteceu", diz. "Na sexta saiu uma decisão de que o pai poderia visitar o filho. Ela ficou muito abatida com a decisão e eu acho que isso juntou com a minha saída de casa no sábado. Eu acho que ela não teve estrutura emocional para aguentar isso e tomou essa decisão equivocada."

A esteticista continua internada no Hospital Luzia de Pinho Melo e não corre risco de morte. "Ela disse no hospital que após a separação tinha medo de ficar sozinha. Essa separação teria motivado tudo isso. Ela não corre risco e está consciente, mas não fala do filho", afirma o delegado.

De acordo com Coqueiro, a polícia levantou a suspeita de que o próprio menino se envenenou por causa do depoimento da esteticista, de provas testemunhais e periciais.

Sobre a hipótese de a esteticista ter matado o filho antes de tentar se suicidar, o delegado afirma que a possibilidade ainda será analisada. "A gente não descarta nenhuma hipótose, mas pelo que as testemunhas falaram ela gostava muito do menino. Os laudos periciais e do IML vão dar o desfecho final do fato". A expectativa é de que eles fiquem prontos em 15 dias. (Redação G1/Foto: Carolina Paes)