Mãe busca na Justiça tratamento para transtorno psiquiátrico grave do filho

Mãe busca na Justiça tratamento para transtorno psiquiátrico grave do filho

 

A dona de casa Rosemeire de Fátima Nalim, moradora no bairro Aparecidinho 2, em Santo Antônio da Platina, está desesperada com a situação do filho Alexandre Nalim Ribeiro, 12 anos. O garoto sofre graves transtornos psicológicos, que se agravaram nos últimos anos e o obrigaram a deixar a 6ª série do Colégio Estadual Rio Branco.

A angústia maior da família é de não ter condições para bancar o tratamento de Alexandre. Por conta dos cuidados quase que exclusivos que o menino demanda, Rosemeire teve de deixar o emprego no Lar Jesus Adolescente. O salário do marido, o lavrador Carlos Ribeiro, é suficiente apenas para manter a casa. Ela procura agora a Justiça para conseguir o tratamento.

Após determinação do Ministério Público, a prefeitura fornece quatro medicamentos de uso contínuo ao garoto, porém Alexandre precisa de consultas semanais com um psicólogo, além de acompanhamento de psiquiatra e neurologista. Para as duas últimas especialidades, Rosemeire ainda conta com o auxílio de amigos e dos próprios médicos, que ajudam no que podem, mas o atendimento psicológico que deveria ser feito uma vez por semana, é realizado a cada dois meses no Centro Social.

“O quadro do meu filho está se agravando a cada dia, ele precisa urgente deste acompanhamento para voltar a freqüentar a escola”, desespera-se Rosemeire. Segundo ela, a agitação de Alexandre começa a se tornar risco para ele e para os parentes. “Ele está muito agitado, fere os lábios com os dentes, além de estar muito agressivo”, lamenta.

A família pediu intervenção do Ministério Público também para o tratamento. “Já fiz vários pedidos na Secretária de Saúde, mas infelizmente fazem um jogo de empurra e não resolvem a situação”, reclama. Para piorar a situação, a Secretaria de Saúde está sem titular desde a saída de João Evangelista de Mello Neto.

 

Exemplo

Um caso parecido com o do garoto Alexandre foi notícia em todo o Estado há duas semanas. Em Bandeirantes, o aposentado Alfonso Umbehaun, que pesava 260 quilos, ganhou na Justiça o direito de se internar em um spa às custas do município e do Estado. Ele precisava perder ao menos 100 quilos para fazer uma cirurgia de redução de estômago.

 

O advogado de Umbehaun, Rafael Palomares, vê semelhança entre os casos, pois segundo ele, o direito à saúde e à vida é um direito básico, garantido pela Constituição Federal. Palomares conta que se baseou em uma ação ganha por um colega de um menino com autismo que necessitava de tratamento. Ele relatou que vai conversar com a família de Alexandre para estudar a possibilidade de pegar o caso.

 

Bullyng: brincadeira nada sadia

A inquietude, agitação e todos os outros sintomas da doença, fizeram de Alexandre alvo de bullyng na escola. A expressão que vêm da língua inglesa (bully = valentão), ainda sem equivalente em Português, se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que causam angústia em outra pessoa em condição inferior.

De acordo com o psicólogo que assiste ao filho de Rosemeire, todas as ações contribuem para o agravamento do quadro. “Quando este tipo de episódio ocorre, ele fica ainda mais agressivo, inclusive tentando agredir os colegas”, revela a mãe. “Esses dias estava andando com o meu filho na rua e presenciei uma situação dessas. Alguns meninos o insultaram. Perguntei a eles como eles se sentiriam se a situação fosse inversa”, lembra o pai do menino. Eles cobram mais campanhas nas escolas contra este tipo de violência que deixa sequelas irreparáveis nas vítimas.

A reportagem tentou contato com o Núcleo Regional de Educação de Jacarezinho para verificar quais tipos de medidas são tomadas nestes casos, porém a Assessoria de Comunicação informou que a responsável estava em uma teleconferência e que não poderia retornar a ligação.

 

 

Redação Anuncifácil

Fonte: Tá No Site