Londrina fecha 2012 com 111 homicídios, 19% a mais que 2011

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Redação Anuncifácil

 

O município de Londrina fechou o ano de 2012 com o registro de 111 homicídios. Os dados são da Polícia Civil e contabilizam os crimes com vítima fatal ocorridos até as 17h30 da última sexta-feira (28). Houve aumento de 19% em relação aos assassinatos do ano passado, quando foram computadas 93 execuções.

Segundo o investigador da Delegacia de Homicídios em Londrina, Cláudio Santana, do total de assassinatos contabilizados neste ano, dez são de vítimas mulheres. O número de óbitos do sexo feminino manteve-se idêntico ao registrado no ano anterior.

O investigador apontou que cerca de 75% dos casos já foram solucionados, seja com a prisão dos autores dos crimes ou então a identificação e expedição de mandados contra os assassinos. "Os outros casos já temos indícios, mas ainda não subsídios totais para pedir a prisão dos envolvidos", explicou.

Somente no mês de dezembro, a Polícia Civil contou oito mortes até a última sexta-feira. As festas de fim de ano podem culminar para novos assassinatos, como comentou Santana. De acordo com ele, os crimes podem acontecer meses depois, em decorrência de desavenças no período.

"Nessa época tem um aumento no consumo de bebida alcoólica, presos que saem com o indulto de Natal. Podem ocorrer brigas, mas as mortes serem registradas tempos depois, em um novo encontro entre essas pessoas", destacou.

A Delegacia de Homicídios apurou que até o momento 84% dos assassinatos foram cometidos com o uso de arma de fogo, sendo que no ano passado este indíce era de 77%. Em 2012 foram sete espancamentos, um apedrejamento e nove mortes com a utilização de arma branca.

O envolvimento com o tráfico de drogas ainda é o maior motivador das mortes, somado aos crimes passionais, que chegam a casa dos 30% neste ano. O último aconteceu na região sul, no Jardim Igapó, quando uma policial militar Maria Eugênia Pasquini, 28 anos, matou o companheiro, Rodrigo Lino Ximenes - recruta da Polícia Militar (PM) - com pelo menos cinco tiros. O crime foi após o feriado de Natal, na tarde de quarta-feira (26).

Mas as disputa entre gangues foi apontada como determinante para o aumento de 19% nos homicídios em Londrina. "Esse ano em particular, se não fossem esses conflitos, teríamos uma base de 100 casos. É uma morte variável, que não dá para prever. E também tem o fato de que muitos óbitos foram no mesmo dia", comentou o investigador.

Embora o acréscimo nos casos seja significativo, Santana ponderou que a Polícia Civil trabalha com os números como se representassem uma média dos últimos anos. "Pela quantidade de gente daqui e da região metropolitana, o cenário reflete uma média. Infelizmente seria considerado assim", disse.

Para se ter uma ideia, a Delegacia de Homicídios já chegou a contabilizar em 2010 108 assassinatos, sendo que em 2009 foram 130 e em 2008, 128 óbitos. Um dos picos de registros ocorreu há quase uma década, em 2003, com 191 homicídios.

O mês de janeiro de 2012 foi o que mais apresentou casos de execução. Foram 14 mortes, sendo que em julho, o município registrou cinco homicídios.

Santana comentou que um crime que chamou a atenção da polícia pelos requintes de crueldade foi a morte de Fernando Rossi, 27 anos, morador do Jardim Bandeirantes (zona oeste). Ele teve 80% do corpo queimado e foi encontrado às margens do Ribeirão Lindóia, próximo ao Centro Social da Vila Portuguesa, no dia 31 de janeiro.

"Ele sofreu espancamento, passaram com moto em cima do corpo e depois atearam fogo. Ao que consta, ele não era da região e teria se envolvido em uma briga", comentou.

Outro fato lembrado pelo investigador foi o caso de Dayane Agda dos Santos, morta pelo ex-marido em agosto deste ano. Paulo dos Santos Rabelo, 23 anos, atirou diversas vezes contra a mulher. Ele não se conformava com o fim do relacionamento. Uma criança de dois anos, o enteado e a mãe da vítima presenciaram o assassinato. (Redação O Diário)