Inconformado com separação, delegado se cala após matar mulher e enteada com quatro tiros em Curitiba

O delegado Erik Busetti ficou calado durante depoimento prestado à delegada Camila Cesconello, da Divisão de Homícidios de Curitiba (DHPP), na manhã de quinta-feira, 5.  Ele foi preso em flagrante, na noite de quarta, 4, suspeito de matar a esposa e a enteada acertando 4 dos 9 tiros desferidos. De acordo com a delegada Camila Cecconello, Busetti foi autuado por duplo feminicídio. Maritza Guimarães de Souza, tinha 41 anos e a filha dela Ana Carolina de Souza, 16 anos.

Maritza Guimarães de Souza e Busetti estavam em processo de divórcio e passavam por muitas brigas e desentendimentos, segundo relatos que chegaram à delegada de testemunhas e vizinhos. Ainda conforme a delegada, o corpo de Maritza estava sobre o da filha, Ana Carolina, como se quisesse protegê-la próximo de um sofá.

Maritza e Busetti estavam juntos há cerca de dez anos, de acordo com a delegada. Eles estavam na Polícia Civil do Paraná (PCPR) desde 2004. Ela era escrivã e estava lotada do departamento de protocolo da Polícia Civil e Busetti era delegado da Divisão da Criança e do Adolescente.

Segundo a delegada Camila Cesconello, após matar a esposa e a enteada, a filha de 9 anos, que estava dormindo em outro quarto acordou com os tiros. Busetti levou ela até a vizinha e pediu então que a Polícia fosse chamada, pois teria feito 'uma grande besteira'. Ele não resistiu à prisão e entregou a arma aos policiais assim que eles chegaram até a casa desta vizinha. "Quando os policiais chegaram, ele estava em estado de choque e aqui na delegacia, se mostrou bastante abalado com o que aconteceu", disse a delegada.

A delegada disse que o inquérito será rápido e que deve ficar pronto em 10 dias, no máximo. "Como ele se calou no depoimento e disse que só falará em juízo, iremos apenas ouvir algumas testemunhas e colher mais algumas provas para concluir o inquérito", disse. Sobre a classificação da defesa de Busetti como uma fatalidade, Cesconello foi taxativa: "Não dá para se classificar deste modo. Foi na verdade uma grande tragédia."

O caso aconteceu por volta das 23h30. Quando o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (SIATE), chegou ao local, às vítimas já estavam mortas. Os disparos teriam sido deflagrados durante uma discussão.

O corregedor da Polícia Civil, Marcelo Lemos, esteve presente ao depoimento e disse que tanto Busetti quanto Maritza tinham histórico disciplinar limpo. Apesar desta afirmação, Lemos disse que Busetti respondeu a processo administrativo disciplinar quando estava lotado na delegacia de Foz do Iguaçu, em 2009. "Mas ele foi encerrado em 2014, por falta de provas", disse Lemos.

Busetti está afastado das funções e permanecerá preso, sob custódia, no Complexo Médico Penal de Pinhais, na RMC, até a apuração completa do caso. Além de responder por feminicídio duplo na Justiça Comum, ele irá responder e um processo administrativo, que pode resultar até mesmo na expulsão dele da Polícia Civil.  (Bem Paraná)