Humor sem censura do site Porta dos Fundos provoca revolta de católicos e evangélicos
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Redação Anuncifácil
O Especial de Natal do site Porta dos Fundos tem mais de 4 milhões de visualizações, mas também um número considerável de rejeições: mais de 23 mil pessoas marcaram a opção “não curti” na página do vídeo no YouTube, tornando-o um dos mais “reprovados” do canal.
As mesmas esquetes que arrancam gargalhadas da maior parte do público geram revoltas nos internautas católicos e evangélicos, que consideraram blasfêmia a paródia com o nascimento de Jesus. O episódio polêmico desencadeou reações fortes de alguns grupos. Eles têm feito campanha contra o canal de humor que virou fenômeno da web nacional.
Os internautas usam as redes sociais para convocar quem não gostou da piada a marcar a opção “não curti”. Ainda há uma petição online que exige que a marca de cerveja Itaipava deixe de patrocinar os vídeos do site e “de apoiar o ataque ao Cristianismo”.
“Gostaria de pedir que o Grupo Petrópolis retire seu apoio ao Porta dos Fundos, já que, ao patrocinar o Porta dos Fundos, está vinculando sua imagem publicamente a um grupo que promove a discriminação e o escárnio dos cristãos e do cristianismo”, diz o texto do documento, com mais de 18 mil assinaturas virtuais.
Já a página “Eu sou Católico Apostólico Romano com muito orgulho” fez um apelo aos seguidores no Facebook.
“Se você é cristão e é contra esta blasfêmia que este grupo de humor Porta dos Fundos postou sobre o natal, entre neste link e vamos marcar que não gostamos”, diz um post. “Sabemos que muitos gostam deste canal, mais Blasfemar contra a igreja, já é D+!”, completa.
Com mais de 7 milhões de internautas inscritos, o Porta dos Fundos é um dos maiores cases de sucesso da internet. Começou no segundo semestre de 2012 e ganhou fama rapidamente, reunindo elenco talentoso (Gregorio Duvivier, Fábio Porchat e outros) e diálogos certeiros. Diretor do canal e um dos fundadores, Ian SBF defende o humor sem censuras do grupo e o roteiro polêmico escrito por Porchat para o Natal.
- A gente sabia que não ia agradar todo mundo com esse especial. Depois de um ano e meio de Porta, já percebemos que os vídeos sobre religião geram mais polêmica - comenta Ian. - Mas até ficamos contentes com isso, porque acaba gerando discussão. O assunto parece velho, mas até hoje é necessário debater sobre os benefícios e malefícios das religiões.
O diretor garante que a intenção do vídeo não era atacar a fé dos cristãos, apenas fazer rir, mas afirma que o coletivo de humoristas nem pensa em deixar de lado assuntos considerados tabus.
- Alguém sempre se sentirá afetado - pondera Ian.
Em geral, os vídeos com teor religioso postados no canal são os que mais sofrem rejeição e geram confusão. “Oh, meu deus!”, que faz piada com uma imagem de Jesus que “aparece” durante um exame ginecológico, tem mais de 5 milhões de visualizações, cerca de 120 mil curtidas e quase 32 mil “não curtidas”. O vídeo, aliás, recebeu duras críticas do pastor e deputado federal Marco Feliciano, que convocou seus seguidores do Twitter a sabotar a esquete de humor. Já o episódio “Demônio”, em que um pastor exorciza um fiel tem mais de 7 mil “não curtidas”. (Redação O Globo)
