Hospital da região de Londrina cobra por tempo de espera para atendimento, diz mãe de paciente

O Hospital Regional João de Freitas, em Arapongas, região metropolitana de Londrina, teria cobrado pelo tempo de espera para atendimento médico particular. A reclamação é da mãe de um paciente, que preferiu não ser identificada. Segundo ela, o hospital teria incluído na cobrança um valor referente à duração do atendimento, desde o momento em que ela entrou na recepção até o horário de saída.

Em entrevista, ela contou que levou o filho ao hospital no dia 11 de junho, por volta das 23h40, e solicitou uma consulta particular. "Paguei R$ 120 para que ele fosse atendido mais rápido", afirmou. "Após o pagamento, entramos no hospital e aguardamos pelo chamamento do médico em uma sala", completou.

Cerca de 40 minutos depois, o profissional atendeu o paciente e o encaminhou ao Pronto Socorro para receber a medicação. "A consulta durou cerca de cinco minutos e ficamos aguardando novamente pela administração do remédio junto a pacientes acidentados e em estado grave". Entre a entrada no hospital e a alta, a reclamante alega que passaram cerca de três horas. "Por volta das 2h30, fui à recepção, pedi um recibo, mas a atendente não conseguiu imprimir por falha no sistema e voltei dias depois para pagar o medicamento".

A entrevistada estranhou a aplicação da tarifa no ato do acerto, após exigir o recibo e a discriminação dos serviços e produtos. No documento, segundo ela, havia uma taxa de sala no valor de R$ 12. "Questionei a funcionária e ela me disse que a cobrança era referente ao tempo em que eu fiquei esperando até a conclusão do atendimento, ou seja, R$ 4 por hora. Fiquei indignada, é algo absolutamente sem lógica. As pessoas pagam para esperar?", disse. Depois de muita reclamação, a gerência teria optado por receber apenas uma hora (R$4) e conceder o desconto de R$ 8.

"O que me revolta é que o meu filho não ficou em um quarto", justificou. Ela também contesta o preço de um kit usado para a aplicação dos remédios. "Inicialmente, cobraram R$ 70. Por fim, depois de muita insistência, baixaram para R$ 44", afirma a mãe do paciente, que enviou o recibo e nota fiscal, conforme publicado abaixo.

Segundo o coordenador do Procon de Arapongas, Paulo Sérgio Camparotto, a arrecadação de uma taxa pela espera do atendimento é abusiva. "Embora não exista uma regulamentação específica acerca dos estabelecimentos de saúde, o profissional que trabalha com agendamento, particular ou SUS, não pode cobrar pela demora", informou. "Assim que tivermos acesso aos documentos vamos investigar a prática em parceria com o Ministério Público".

Apesar do valor considerado baixo, Camparotto ressalta a importância de apresentar qualquer indício de irregularidade junto aos órgãos fiscalizadores. "O volume de atendimento é gigantesco em um hospital desse porte, ou seja, imaginem o total de arrecadação", exemplificou. Caso sejam constatadas as ilicitudes, o hospital estará sujeito à aplicação de multa. "Também cabe uma ação coletiva por parte do MP e a ordem para que a prática seja coibida".

À reportagem do Portal Bonde, o Hospital João de Freitas negou a incidência da taxa de espera. Alegou que há cobrança da taxa de sala e/ou observação, relativo ao uso das instalações em caso de realização de procedimentos médicos, como inalações e outros cuidados. O preço, segundo o hospital, varia conforme o tipo de intervenção.

A Federação Brasileira de Hospitais (FBH) também informou que não tem conhecimento sobre a taxa de espera. De acordo com a entidade que representa mais de 6,7 mil hospitais no País, há legalidade na taxa de observação e/ou sala, concernente ao procedimento pelo qual o paciente é submetido. Esse valor, entretanto, deve ser fixo e não variável conforme a duração. (Redação e fotos Portal Bonde)