Gaeco investiga doações de terrenos públicos em Londrina
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Redação Anuncifácil
O Ministério Público investiga se um suposto pagamento de propina tem influenciado doações de áreas públicas da Prefeitura Municipal de Londrina a empresários. Na manhã de sexta-feira (6), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou uma operação, prendeu três pessoas e cumpriu 12 mandados de busca e apreensão nas casas e empresas de suspeitos.
O coordenador do Gaeco, promotor Cláudio Esteves, informou que a 4ª Vara Criminal de Londrina expediu três prisões temporárias, cujo objetivo é poder reunir provas para avaliação de um inquérito. Foram presos o gerente do Instituto de Desenvolvimento - órgão que estimula o crescimento econômico em Londrina - e servidor de carreira há 29 anos, Eduardo Ivan Reale, a enfermeira que trabalharia informalmente como corretora Eliana Zamboni e o proprietário da ArtLonde Dorival Pereira.
"Há uma suspeita que, em alguns casos, doações encaminhadas pela Codel em favor de algumas empresas sejam favorecidas pelo pagamento de propina. Isso é o objeto da investigação. Não há como afirmar categoricamente que isso tenha acontecido em todos os casos ou em casos determinados, mas tem a suspeita que tenha sido oferecida vantagem ou até mesmo paga a vantagem", disse em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira.
Segundo Esteves, o suposto esquema seria recente, mas ele preferiu não detalhar qual seria o papel de cada um dos detidos, o que deve ser esclarecido ao final do inquérito. As investigações começaram há dois meses, quando o Gaeco foi procurado por um empresário a quem teria sido feito o pedido de um valor para acelerar o processo de doação de uma área.
Reale é um dos empresários cujo projeto de lei está na Câmara para votação, junto com outros 11. Além de supostamente ter sido beneficiado após o pagamento de propina, ele também cooptaria outros interessados para o esquema. Já a ponte entre os donos das empresas e a Codel seria o papel de Eliana.
Neste ano, a comissão da Codel que analisa os pedidos de doações já aprovou 25 projetos, oito deles já receberam sanção do prefeito e outros 12 estão em tramitação no Legislativo. Para o promotor Claudio Esteves, os casos devem ser reavaliados.
"É necessário verificar se em cada um dos casos houve uma interferência negativa. Ao mesmo tempo, não podemos tachar criminosas todas essas doações porque nós podemos ter claramente tramitações absolutamente limpas, mas é preciso uma reavaliação, eu não tenho dúvida", declarou.
O prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), e o presidente da Codel, Bruno Veronesi se mostraram bastante surpresos com a operação e preocupados com os efeitos do caso para a credibilidade do município junto aos empresários. "O que posso dizer é só pedir aos empresários que qualquer sentimento que tenham de achaque, que nos procurem imediatamente. Não quero que este episódio manche a imagem da Codel", afirmou Veronesi.
Ele destacou que o processo para doação de áreas às empresas interessadas em se instalar em Londrina segue um rito bastante rigoroso. "A empresa nos procura, manifesta interesse. Então ela tem que nos encaminhar um formulário com todos os dados necessários para que possamos iniciar a análise. Após o protocolo, ela passa por uma análise no nosso quadro de servidores para vermos se é viável ou não este empreendimento", ressaltou.
A partir daí, Veronesi diz que uma comissão de membros da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Câmara Municipal, prefeitura, Universidade Estadual de Londrina e a própria Codel analisa os pedidos antes de enviar para os vereadores votarem. "Lá, o projeto passa por outras três comissões permanentes antes de ir à plenária", enfatizou. (Redação O Diário)
