Folha de Londrina destaca iniciativas de procopenses que transformam vidas

Eles não têm fins lucrativos. Como voluntários de projetos sociais, ou organizações filantrópicas, sacrificam feriados, fins de semana, sofrem para arrecadar recursos e trabalham duro com um único objetivo: ajudar a comunidade, especialmente as mais carentes. Porém, graças ao trabalho dessas pessoas, a vida de milhares de jovens tomou um rumo novo, muito além de suas expectativas. Dois bons exemplos desses projetos em Cornélio Procópio são o Ouro do Olimpo de Atletismo e a Associação Musicarte.

Fundado há dois anos pelos professores Rodrigo Bueno Araújo e Josiane Balduíno, o projeto Ouro do Olimpo de Atletismo tem por objetivo ajudar crianças carentes pela inclusão esportiva, e descobrir novos talentos. Natural de Cornélio e campeão brasileiro por duas vezes de Marcha Atlética, Rodrigo considera que tinha obrigação de repassar aos mais jovens o conhecimento que acumulou em 20 anos de carreira. "Começamos com uma menina e hoje são mais de 40 jovens que treinam conosco no campo da UTFPR", diz.

Os resultados alcançados são o que mais orgulham os fundadores. Em apenas dois anos, a equipe contabiliza o título de campeã da Copa Brasil de Marcha Atlética, além de subir aos pódiuns de vários campeonatos paranaenses e regionais, em diversas modalidades do atletismo. São mais de 100 medalhas no pescoço dos pequenos atletas. Só no GP Caixa de Atletismo foram 30, sendo 14 de ouro.

Tanto esforço trouxe conquistas também para os jovens: oito recebem bolsas de estudo, e seis ganham o "Bolsa Atleta", benefício do Governo Federal que é concedido a atletas com bons resultados em competições oficiais. "É uma ajuda importante. Tem meninos que chegaram aqui e não tinham dinheiro para comprar um tênis, um shorts para o treino", afirma Josiane.

Grande parte dos alunos possuem até 16 anos de idade, e a participação é condicionada à vida escolar. "Tive que melhorar minhas notas, pois eles vão ao colégio ver se a gente está indo bem, se não fazemos bagunça", conta Igor Machado, 16 anos, que foi vice-campeão paranaense nos 300 metros com barreira, em 2015. "Tive que melhorar minha alimentação, meus hábitos, e a cabeça também. A gente tem de ter responsabilidade e dedicação para chegar onde queremos".

As irmãs Bruna e Ana Beatriz Balduíno Araújo, 13 e 15 anos, mesmo tão novas, comemoram vitórias notáveis. Bruna foi campeã brasileira mirim de Marcha Atlética, em 2015, e Ana campeã paranaense nos 3 mil metros rasos. "Amo correr. Meu sonho é ser uma atleta olímpica", revela Bruna. Já Ana afirma que seu grande sonha já está se concretizando. "Eu tinha problemas cardíacos, hormonais e reumatismo quando criança. O médico me liberou para os esportes há dois anos, então, para mim, as conquistas que obtive são vitórias incríveis", comemora.

Grande parte dos atletas vem de comunidades carentes da cidade. "Tivemos casos de jovens que estavam envolvidos com tráfico, e hoje são campeões, com excelente resultado. São mudanças que mexem com a cabeça não apenas deles, mas de toda a família", conta Rodrigo.

O projeto Ouro do Olimpo, no entanto, passa por dificuldades financeiras. "Recebemos poucos recursos, muitas vezes tiramos do nosso bolso o dinheiro para conseguir uniformes, equipamentos para treino, viagens, etc", diz Rodrigo. Por isso, os coordenadores pedem o auxílio de empresários. "Quem puder nos ajudar, será muito bem-vindo".  (Reportagem de Rubia Pimenta Especial para a FOLHA)