Estado investe mais em segurança, mas gasta mal o dinheiro aponta estudo

Redação Anuncifácil

 

A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) informou que pretende, em 2013, aumentar em cinco vezes o investimento em informação e inteligência. De 2010 para 2011, houve uma queda de 10,68% nessa área. Os dados estão na 6ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

 

Sinesp

O documento também avaliou que o Paraná tem uma ótima qua­­lidade no repasse das informações – é o único que in­­forma as estatísticas com base no número de vítimas, e não no número de ocorrências –, mas que ainda não alimenta adequadamente o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).

“Há determinação para a alimentação do sistema, mas não há apoio aos estados para que isso seja feito. Durante o governo anterior, não havia compromisso em informar esses dados. Agora, a orientação é informar todos os dados relativos à Secretaria”, informou a assessoria de imprensa do órgão. Ainda segundo a Sesp, a alimentação do Sinesp deve começar no próximo mês.

 

74,5 mortes

Para cada grupo de 100 mil pessoas. Essa é a taxa de homicídios de Alagoas em 2011, a maior do país.

 

Como tornar o gasto em segurança pública no Paraná mais eficiente?

 

O Brasil gasta muito e mal com segurança pública e, não por acaso, os números da violência ainda seguem altos. Enquanto houve um aumento de 24,4% nas despesas com policiamento, defesa civil e inteligência no país, a taxa de homicídio doloso (com intenção de matar) está estagnada em 22 mortes por 100 mil habitantes, muito acima dos 10 por 100 mil, taxa tolerável pela Organização Mundial da Saúde. A conclusão é do 6.º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado ontem. O relatório é feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e analisa os dados estaduais e nacionais.

Os investimentos do país no setor somaram R$ 51,5 bilhões em 2011, incluindo custeio. No Paraná, houve um aumento de 14% no gasto per capita (veja infográfico) e o cenário nacional se repete. Em contrapartida, quando o assunto é inteligência e informação, houve uma queda de 10% no gasto. Mesmo assim, houve redução de 6,4% na taxa de homicídios, que ainda é altíssima (29,3 por 100 mil). Só em 2011, foram 3.085 homicídios dolosos, colocando o Paraná como o 10.º estado mais violento do país.

Para a secretária executiva do Fórum, Samira Bueno, o problema do Brasil está claro. “Não adianta aumentar o gasto. O importante é a forma como o gasto é feito”, afirma. Ela explica com o exemplo da Alemanha. Proporcionalmente, o país europeu tem um gasto semelhante ao do brasileiro. Os alemães gastam 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB); o Brasil, 1,3%. Mas a taxa de homicídio alemã é de 0,8 morte por 100 mil habitantes. “É mais uma questão de como se gasta, e não a quantidade”, ressalta.

 

Investir em qualidade

Segundo o sociólogo da PUCMG, Luís Flávio Sapori, é preciso qualificar o gasto e mirar na solução de problemas. “É preciso investir mais em qualidade de investigação, no trabalho policial. A despeito das melhorias econômicas do país, a violência segue altíssima”, explica.

O Paraná é o único estado que informa o número de homicídios dolosos com base na quantidade de vítimas e não no de ocorrências. Por outro lado, o estado peca na contribuição para uma análise mais profunda do quadro da segurança pública do país.

Segundo o anuário, o Paraná e outros quatro estados ainda não alimentam o Sistema Nacional de Esta­tísticas em Segurança Pública e Justiça Criminal, base de dados da Secretaria Nacional de Segurança Pú­blica. “O Paraná tem uma boa informação, mas não alimenta a base nacional, o que dificulta análise de um cenário mais aprofundado no país”, critica Samira. (Redação Gazeta do Povo)