Em meio à pandemia, número de candidatos que fazem referência à Saúde no nome cresce mais de 80%, no Paraná
Com as eleições durante a pandemia do novo coronavírus e a pauta da saúde em voga, o número de candidatos que usam alguma referência à área no nome de campanha aumentou 81,5% no Paraná, em relação às eleições municipais de 2016.
De acordo com os dados de candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 639 candidatos que usam "do postinho", "da saúde", "da farmácia" e "do hospital" nos nomes, entre outras referências à área da saúde.
Em 2016, as mesmas expressões ou palavras estavam nos nomes de 352 candidatos.
Proporcionalmente, o crescimento de 81,5% é mais de quatro vezes superior ao aumento total de candidatos entre as duas eleições. Em todo o Paraná, são 36,5 mil pessoas concorrendo no pleito todo, 16% a mais do que em 2016.
De acordo com o professor de ciência política Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o nome de urna dos candidatos, especialmente nas eleições proporcionais, como é o caso dos vereadores, é usado como uma forma de criar uma relação com os eleitores.
"Os candidatos a vereador têm um alcance muito limitado nas suas campanhas, então eles usam estes recursos para procurar algum atalho que os identifique com alguma área ou com algum segmento", afirmou.
Segundo o professor, o aumento se deve, principalmente, à pandemia do novo coronavírus.
"É um assunto que está sendo muito discutido, então o candidato quer se associar a isso para convencer uma parcela do eleitorado", afirmou.
Também aumentou acima da média no estado o número de candidatos que se declaram como profissionais ligados à área da saúde.
São 1.173 candidatos que se declararam como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, sanitaristas, entre outras profissões da área. O número é 24% superior ao registrado em 2016.
Apesar da alta, os profissionais de saúde ainda estão longe de serem os mais populares entre os candidatos - a profissão mais declarada entre os concorrentes do Paraná é a de agricultor, com 2,9 mil candidatos.
Segundo Cervi, mesmo fora da pandemia, a proporção de médicos eleitos é historicamente acima da média.
Em 2016, por exemplo, 15% dos candidatos do Paraná acabaram eleitos ao final do pleito. Entre os médicos, a proporção de eleitos foi quase o dobro: dos 106 candidatos na oportunidade, 30 foram eleitos, o que representa 28%.
"É uma classe que tem um sucesso eleitoral acima da média, independente de usarem nos seus nomes de urna alguma referência a isso", afirmou Cervi. (G1 Paraná)
