Dia Mundial do Doente

Todos os anos, no dia 11 de fevereiro, memória de Nossa Senhora de Lourdes, por determinação do Papa, São João Paulo II, os católicos celebram o DIA MUNDIAL DO DOENTE com o objetivo de refletir sobre o sentido da doença em nossa vida de cristãos e de cristãs.

O ser humano caracteriza-se pela profunda unidade pneumossomática. Quando adoece não apenas o corpo entra em crise, mas a pessoa inteira fica abalada. Começa então a se fazer uma série de questionamentos: Por quê? Por que eu? Por que agora? Por quanto tempo? Que será de mim?

Se do ponto de vista puramente humano a doença representa uma experiência dolorosa e até certo ponto sem sentido, do ponto de vista da fé ela pode ser vista como um “momento” pascal. Pela fé, o cristão pode unir sua doença e sua dor ao sofrimento de Cristo (2Cor 4,10) e completar o que falta às suas tribulações pelo seu Corpo que é a Igreja (Cl 1,24).

“É papel dos enfermos na Igreja, pelo seu testemunho, não só levar os outros homens a não esquecerem as realidades essenciais e mais altas, como mostrar que nossa vida mortal deve ser redimida pelo mistério da morte e ressurreição de Cristo” (RUE 3).

Os bispos do Brasil, em seu documento “Pastoral da Unção dos Enfermos”, refletindo sobre a relação entre enfermidade e mistério pascal, concluem com estas palavras: “No cristão doente se pode verificar o que Paulo dizia de si mesmo: ‘Embora se destrua em nós o homem exterior, todavia o homem interior vai-se renovando de dia para dia’ (2Co 4,16). Desta maneira o mistério pascal da morte e ressurreição de Cristo torna-se o mistério pascal do cristão”.

O apóstolo Paulo lembra que “Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28). A doença que, em si mesma é um mal, “salário do pecado” (Rm 6,23), pode “tornar a pessoa mais madura, ajudá-la a discernir em sua vida o que não é essencial, para voltar-se àquilo que é essencial. Não raro, a doença provoca uma busca de Deus, um retorno a ele” (CIC 1501).

A primeira graça da doença é colocar o ser humano em retiro para encontrar-se a sós, consigo mesmo. Tentada a sentir-se sempre cheia de força e de energia vital, atitude que a 1ª Carta de João chama de “soberba da vida” (1Jo 2,16) a pessoa com frequência esquece que é limitada e que seu fim último é Deus. Forçada pela doença passa a pensar mais na própria vida e no próprio destino.

Feliz aquele que souber aproveitar esta “parada forçada” da doença para dela sair mais maduro, mais humano, mais compreensivo, mais purificado e mais forte para os embates da vida ou para a luta definitiva diante da morte.

 

Dom Manoel João Francisco

Bispo da Diocese de Cornélio Procópio