Dia dos Pais

No contexto do mês das vocações no domingo (9),  estaremos celebrando o Dia dos Pais e iniciando a Semana da Família.

Segundo o ensinamento da Igreja a família é uma instituição divina. Deus ao criar o ser humano o criou homem e mulher e os vocacionou ao amor e à comunhão. Por isso, a família “é constitutivamente ligada à natureza do homem e da mulher, para o bem e a felicidade de ambos e da sociedade e da Igreja. Quando um homem e uma mulher constituem uma nova família, Deus se reflete neles.

Embora a família passe por grandes desafios, permanece, contudo, a certeza da necessidade que todos temos de uma família. Esta posição não é exclusividade da Igreja. Pesquisadores sérios são os primeiros a confirmá-la. Numa pesquisa com registros de óbitos, a pediatra Marília de Freitas Maakaroun constatou que “cinqüenta por cento das mortes ocorridas entre adolescentes brasileiros são provocadas por acidentes homicídios e suicídios”. Ainda segundo a mesma pesquisa, a maioria desses jovens, em vez de ser protegida por fortes vínculos familiares, tinha “pais separados ou que não se davam bem; era de família nas quais prevalecia a relação rejeição-punição-ameaça”. Neste sentido, o testemunho, dado em 2008, por John Pridmore, ex-gangster, em uma entrevista, na Jornada Mundial da Juventude na Austrália é também muito ilustrativo.

À pergunta: “Você disse que teve uma infância muito feliz. Como chegou então a entrar na vida de gangster?” John Pridmore respondeu: “A grande mudança ocorreu quando eu tinha dez anos. Certa vez ao voltar para casa, meus pais me disseram que eu precisava escolher com quem queria viver, porque eles estavam para se divorciar. Meus pais eram as duas pessoas mais amadas por mim, portanto, não podia escolher um e rejeitar o outro. Acho que tomei naquele instante uma decisão inconsciente: não iria amar mais ninguém, dessa maneira não me machucaria de novo. A partir de então minha vida foi ficando cada vez mais complicada até que eu me tornei um gangster”. A entrevista continua. John Pridmore conta todo o seu descaminho e vida de violência. Deus, porém, não abandona seus filhos e John Pridmore se converteu. Hoje, ele está plenamente ativo na obra de evangelização. Como ele mesmo diz: “Agora eu trabalho para Deus o tempo inteiro. Ninguém me paga. Eu vivo completamente da Providência divina”. Fica, no entanto, o testemunho sobre a importância da família e do mal que pode provocar a separação dos pais.

Na vida em família, ensina o Papa Francisco é preciso ter sempre presente “três palavras mágicas”: “por favor, obrigado e desculpa”. Por favor para não ser intruso na vida do cônjuge. Obrigado para agradecer ao cônjuge por aquilo que fez por mim. E visto que todos erramos, a outra palavra que é um pouco mais difícil de dizer, mas necessária é: desculpa. Com estas três palavras, continua o Papa, e com a oração do esposo pela esposa e vice-versa, mais o fato de fazer as pazes sempre antes que termine o dia, o casamento e a família vão adiante.

Na família todos têm sua importância. O pai, no entanto, é sumamente necessário para a estabilidade famíliar. Numa de suas catequeses nas quartas-feiras, o Papa Francisco lembrou que o pai precisa ser “presença na família”. ‘Que seja próximo à mulher para partilhar tudo, alegrias e dores, cansaços e esperanças. E que seja próximo aos filhos em seu crescimento: quando brincam e quando se empenham, quando estão despreocupados e quando estão angustiados, quando se exprimem e quando ficam em silêncio, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando reencontram o caminho; pai presente sempre. Dizer presente não é o mesmo que dizer controlador. Porque pai muito controlador anula os filhos e não os deixa crescer”.

Na comemoração do Dia dos Pais, juntamente com a gratidão por tudo o que fazem em favor de suas famílias, envio-lhes a certeza de minhas orações para que possam ser às novas gerações o que realmente devem ser: “protetores e mediadores insubstituíveis da fé na bondade, da fé na justiça e na proteção de Deus, como São José”.

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