Dia das Mães
No próximo domingo vamos celebrar o dia das mães. Esta celebração não tem a mesma dada em todos os países. Sua origem é mitológica. Na Grécia antiga, no início da primavera, organizava-se uma festa em honra de Rhea, a mãe dos deuses.
Nos tempos modernos, consta que na Inglaterra, durante o século XVII, as mulheres operárias, reservavam o quarto domingo da Quaresma para ficar em casa cuidando de suas mães. Foi nos Estados Unidos, no entanto, que o dia das mães se popularizou, após uma campanha liderada por Ana Jarvis. A primeira celebração oficial aconteceu em 1910, quando o governador da Virgínia Ocidental incorporou a data no calendário de comemorações daquele estado.
No Brasil, o primeiro dia das mães aconteceu no dia 12 de maio de 1918 e foi promovido pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, um grupo formado por jovens de diversas Igrejas evangélicas.
Apesar da origem protestante, o dia das mães se tornou muito popular entre os católicos, por isso, o Cardeal Dom Jaime Barros Câmara, Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que o Dia das Mães, celebrado no segundo domingo de maio, fizesse parte do calendário oficial da Igreja católica.
A Igreja católica sempre teve em grande honra a figura da mãe. Segundo o Papa Beato Paulo VI, a mãe é a zelosa guardiã da família. Sua missão é a mais alta, a mais generosa e a mais sagrada da existência humana. O Papa, São João Paulo II, num encontro com os jovens dizia-lhes que aos filhos compete olhar para suas mães como Jesus olhava para a sua. No rosto de todas as mães se reflete a doçura, a intuição e a generosidade de Maria. Honrando suas mães, os filhos estarão honrando também a que sendo mãe de Cristo é igualmente mãe de todos nós.
“Tudo o que somos começou no coração de nossa mãe. (...). Prestemos honras à maternidade, pois a mãe, que leva debaixo de seu coração a criança que nasce e se desenvolve, merece em grande medida respeito, veneração e estima”.
Em várias passagens da Bíblia encontram-se histórias de mães heroínas e de muita fé. A mãe dos sete irmãos macabeus sempre me impressiona, desde minha infância, quando ouvi pela primeira vez a sua história.
Vou recordá-la em homenagem a todas as mães nesta oportunidade em que estamos celebrando o dia a elas dedicado.
O povo judeu estava sob o domínio dos sírios. Todos deviam renunciar a fé em Jahvé. Se alguém desobedecesse devia morrer. Neste contexto foram presos sete irmãos e sua mãe. Todos, um após o outro, a começar do mais velho, foram torturados e mortos na presença da mãe que serena os exortava a serem fiéis. Ao último fez a seguinte exortação: “Meu filho tem pena de mim que te trouxe em meu seio durante nove meses, que te amamentei durante três anos, que te nutri e eduquei até a idade em que estás e que provi ao teu sustento. Eu te suplico, meu filho, olha o céu, olha a terra, contempla todas as coisas que neles existem, e reconhece que Deus as criou do nada e que a humana geração é feita da mesma maneira. Não tema este algoz, mas mostrando-te digno de teus irmãos, aceita a morte, a fim de que eu te encontre com teus irmãos no tempo da misericórdia”. Por fim também foi morta (cf. 2Mc7,1-42).
A todas as mães uma saudação carinhosa com votos para que tenham a fé e a coragem da mãe dos sete irmãos macabeus.
Por Dom Manoel João Francisco
Bispo da Diocese de Cornélio Procópio