Delegado defende tolerância zero para conter criminalidade na região de Guaíra
A tolerância zero no setor de trânsito na região pelas forças policiais poderia reduzir a criminalidade no Oeste, principalmente na fronteira, em até 50%. Essa é a avaliação feita pelo delegado-chefe da Operação Sentinela no Paraná e substituto do Núcleo de Operações na delegacia da PF de Foz do Iguaçu, mas que até o fim deste mês assume oficialmente como delegado-chefe em Guaíra, Reginaldo Batista.
Segundo o delegado, isso é fruto de uma constatação feita com outros profissionais da área de segurança. Não faz parte de nenhum trabalho científico, mas de observação e de experiência, aliada ao conhecimento das características de toda faixa que divide o Brasil com o Paraguai. “Se todas as forças policiais adotassem essa medida, os reflexos na redução da criminalidade seriam imediatos, principalmente quanto ao tráfico e o contrabando”, afirma.
O delegado que está em missão em Guaíra revela que as drogas, armas, munições, contrabando e o descaminho só entram no Brasil passando pelas estradas – rodovias estaduais, federais ou trechos secundários – em todo o Oeste. “Mesmo que atravessem quando vêm do Paraguai, em algum momento os produtos vão parar em um veículo e em alguma estrada, com tolerância zero para qualquer tipo de irregularidade e infração, muitos poderiam cair na fiscalização”.
A regra valeria para problemas visíveis, como nas condições do veículo, até as irregularidades com a documentação. Nesse caso facilitaria a identificação de veículos roubados, clonados ou adquiridos por quadrilhas em esquema de financiamentos em nome de laranjas, mas que depois de um tempo as parcelas deixam de ser pagas.
“É uma película mais escura, um imposto que deixou de ser pago, um problema no escapamento, se não houver tolerância esses não veículos deixam de circular”, segue.
Reginaldo, que pretende dar continuidade ao trabalho do atual delegado-chefe em Guaíra e que será designado à delegacia de Foz do Iguaçu, Ricardo Cubas Cesar, sabe dos desafios que vai enfrentar. A região de Guaíra é considerada hoje uma das mais vulneráveis de toda a fronteira, principalmente quando o assunto é o contrabando e o descaminho.
Mas a ideia da tolerância zero para as irregularidades de trânsito esbarra em um enorme problema. Tanto a Receita Federal quanto a Polícia Rodoviária Federal não têm estrutura para manter os veículos apreendidos. O motivo é a superlotação já vigente.
Em toda a região são mais de dez mil veículos amontoados nos pátios da Receita e sem qualquer visibilidade de desafogamento. “Para que o trabalho de todos seja eficiente, precisamos atuar juntos e com condições para que isso ocorra”, segue o delegado Reginaldo Batista.
Ao sobrevoar a região logo que assumiu a pasta no ano passado, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, mostrou-se surpreso com a quantidade de carros empilhados no pátio da Receita na região de Foz. Mesmo assim, desde então menos de 10% dos veículos tiveram destinação em leilões.
O novo delegado chefe em Guaíra assume oficialmente junto ou próximo à data da inauguração da nova sede da Delegacia em Guaíra. A solenidade está previamente agendada para o fim de setembro.
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Redação Anuncifácil Fonte: O Paraná |