Cornélio Procópio, Londrina e Cascavel reduziram casos ativos de Covid-19 e questionam decreto do Governo Estadual

Algumas prefeituras que questionam o decreto de quarentena restritiva assinado pelo governador Ratinho Junior na última terça-feira (30), têm argumentos epidemiológicos para a rebeldia. Em Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), Londrina (Norte) e Cascavel (Oeste), o número de casos ativos é menor do que o registrado em 20 de junho. Isto é, há menos pessoas em condição de transmitir o vírus e menos demanda por internamento hospitalar.

Essas três cidades recorreram para o governo estadual rever a decisão. Em São José dos Pinhais, na região metropolitana, também há menos casos ativos, mas a prefeitura acatou o decreto.

Os casos ativos levam em conta o total de confirmações, o número de pessoas recuperadas – que possuem um grau de imunidade contra o coronavírus – e o total de mortes. Essa contabilidade é importante porque, em um cenário de ampliação de testagem, mais testes confirmados nem sempre indicam piora do quadro epidemiológico.

Os testes sorológicos, por exemplo, podem mostrar a presença de anticorpos, indicando que a pessoa teve contato com o vírus, mas que já está recuperada.

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde (SESA), a inclusão leva em conta um cálculo epidemiológico que considera a taxa de incidência por 100 mil habitantes, o número de mortes pela mesma faixa populacional e a ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) nas quatro macrorregionais de Saúde (Leste, Oeste, Norte e Noroeste).

Elas operam em rede: se há lotação hospitalar em alguma cidade, um paciente é levado para algum estabelecimento em uma mesma regional ou em uma mesma macrorregional.

Em Cornélio Procópio, sede da 18ª Região de Saúde, o número de casos confirmados passou de 222 em 20 de junho para 252 na quinta-feira (1º), alta de 13,5%. Mas o número de recuperados aumentou mais, proporcionalmente e o total de casos ativos caiu de 64 para 29. Eram 14 óbitos, e de lá para cá houve acréscimo de uma morte no município, chegando a 15. Com isso, a letalidade caiu de 6,3% para 6%.

O boletim da SESA de leitos hospitalares indica ocupação atual de 70% nas UTIs Covid-19 no município. Em 24 de junho, por exemplo, a ocupação estava em 90%.

Baseados nestes dados os prefeitos da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (AMUNOP), aprovaram um documento que será enviado ao governador do Estado em que pedem uma reavaliação dos números que colocam a região entre os casos mais graves do Paraná.

“Vamos protocolar e fazer tramitar com a urgência necessária um recurso administrativo pedindo a reconsideração do decreto governamental. Queremos que haja um tratamento diferenciado para a nossa região, pois, no nosso entender, ela não vive hoje o momento complicado de dias atrás”, justificou o prefeito de Cornélio Procópio Amin Honnouche.

Para ele, a situação já está se estabilizando, não só em seu município, como em toda a região, graças à complacência da população, notadamente dos que trabalham no comércio local.

“Eles têm colaborado com o município e trabalhado de acordo com as orientações técnicas recomendadas. Assim, esperamos obter sucesso neste recurso administrativo para seguirmos trabalhando da forma como estamos fazendo”, complementou o prefeito de Cornélio Procópio.

Pela decisão tomada na reunião, o documento será elaborado por técnicos do CISNOP (Consorcio Intermunicipal de Saúde do Norte do Paraná) e AMUNOP, os prefeitos mantêm a esperança de reverter à decisão na capital do Estado.

Enquanto isso prevalece decreto municipal que mantem o comércio aberto, com apenas algumas restrições de horário. (Redação: Gazeta do Povo e Tribuna do Vale)