Cornélio Procópio ainda tem parentes morando na região

Se perguntarem a algum procopense quem foi Cornélio Procópio, a grande maioria responderá que era o dono das terras que deu origem à cidade. Na verdade, Cornélio Procópio nunca esteve nesta região.

"A chamada Gleba Laranjinha, que deu origem à cidade, pertencia ao genro do Cornélio, Francisco Cunha Junqueira. Quando os trilhos de ferro avançaram por suas terras, no km 125 foi construída uma estação ferroviária, à qual ele deu o nome de Cornélio Procópio, em homenagem ao sogro. Cornélio mesmo nunca esteve aqui", conta o historiador da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR) de Cornélio Procópio, Roberto Bondarik.

Cornélio Procópio de Araújo Carvalho, natural de Aiuruoca (sul de Minas Gerais), foi um homem muito rico e de grande influência política durante o Império de Dom Pedro II, chegando a coronel da Guarda Nacional. Ele teve nove filhos e grande parte deles viveu em São Paulo (todos já faleceram).

Apenas uma fração da família mora no Norte Pioneiro. Myrtes Aguiar Procópio de Araújo Carvalho, de 86 anos, vive em uma fazenda em Jacarezinho, cidade onde nasceu. Ela é viúva de Ronaldo Procópio de Araújo Carvalho, neto do Cornélio Procópio. "Moro sozinha com meu filho Renato. A fazenda que temos é herança do meu avô", explica.

Ela conta que o sogro, Mariano, era filho do Cornélio Procópio, e possuía uma fazenda na região de Jacarezinho, a Santa Helena, que acabou sendo vendida. "Outro parente que possuía terras na região era Manoel Junqueira de Oliveira, neto do Cornélio Procópio. Ele morava em São Paulo, mas passava férias em sua fazenda em Bandeirantes. Também foi vendida após sua morte", conta Myrtes.

A maioria dos descendentes de Cornélio Procópio, no entanto, hoje vive em São Paulo. A bisneta Maria Beatriz Junqueira de Oliveira, 70 anos, é neta de Maria das Dores, filha mais velha de Cornélio Procópio. Beatriz é formada em Jornalismo e trabalhou muito tempo com correção de trabalhos acadêmicos. "Atualmente grande parte da família já não tem mais nenhuma ligação com a terra".

Ela conta que dentro da família, a lembrança que ficou de Cornélio Procópio é de um homem muito empreendedor, que gostava de viajar e aproveitar a vida, fazendo várias viagens à Europa. "Era um homem muito rico, tinha muitas terras, em muitos lugares. Foi um entusiasta da abertura de terras no Norte do Paraná."

Heloísa Junqueira é viúva do contador José Eduardo Junqueira de Oliveira, bisneto do Cornélio Procópio, que faleceu em 2006. O marido dela estava com o quadro do bisavô, que foi doado à Prefeitura de Cornélio Procópio há cerca de 10 anos. A pintura pertencia à filha mais velha de Cornélio, Maria das Dores, avó de José Eduardo.

Maria Beatriz conta que visitou Cornélio Procópio há cinco anos e esteve com o então prefeito Amin Hannouche. "Achei a cidade linda. Pequena e simpática, muito bem organizada. É um orgulho para todos nós poder fazer parte desta história". 

A família hoje leva uma vida normal em São Paulo, longe de todo poder que concentrava há cerca de um século. A figura de maior destaque é Celita Procópio de Carvalho, presidente do Conselho Curador da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), de São Paulo. Em 2008 ela foi eleita pela Revista Isto É uma das pessoas mais influentes do Brasil, por sua atuação na educação e cultura. Celita é sobrinha de dona Myrtes, de Jacarezinho, e filha do advogado Cornélio Procópio de Araújo Carvalho, que passou toda sua vida em São Paulo. (Redação e foto: Rubia Pimenta - Especial para a FOLHA de Londrina)