Contrabandistas procuram Receita Federal e descobrem que foram enganados por “ajudantes”

IMAGEM ILUSTRATIVAA equipe da Receita Federal que atua na Aduana da Ponte Internacional da Amizade, em Foz do Iguaçu, recebeu recentemente uma reclamação bastante curiosa.

Uma pessoa se dirigiu a um dos supervisores apresentando um termo de retenção de mercadorias que supostamente teria sido emitido pela Receita Federal, querendo saber se o documento é legítimo.

O que chamou a atenção do cidadão para buscar os esclarecimentos junto à Receita foram erros de grafia existentes no documento. Várias palavras estavam grafadas de forma errada (havia termos espanhóis intercalados no texto em português). Algumas das palavras que chamaram a atenção foram encuadramento, origen, cuantidade, articulo e recolhimiento.

Constatou-se que de fato o documento apresentado era falso e que ele havia sido ‘fabricado’ com base num documento verdadeiro, com a inserção de informações adicionais.

Comparando o documento falso com o verdadeiro, observa-se que, além dos erros de português, no documento falso consta um rol maior de itens apreendidos, além de terem sido aumentadas as quantidades de cada item apreendido.

O caso tem uma explicação: muitos contrabandistas se valem de laranjas para fazer a travessia de mercadorias. Após cada etapa do trabalho, os laranjas precisam prestar contas aos seus patrões (os contrabandistas que os contratam), entregando-lhe as mercadorias que conseguiram passar e justificando as perdas (mercadorias retidas pela Receita Federal) com o respectivo termo de retenção.

No caso em tela um dos laranjas acabou enganando seu patrão. Ele perdeu parte das mercadorias numa das viagens (as mercadorias relacionadas no termo verdadeiro). Mas muito provavelmente ele acabou conseguindo passar pela Aduana com outra parte das mercadorias, vendendo-as em seguida, para ganhar um dinheiro extra.

Para justificar a não entrega das mercadorias ao seu patrão, o laranja lançou mão de uma tática ousada: falsificou o termo de retenção da Receita Federal, inserindo no documento ‘fabricado’ também os quantitativos de mercadorias que ele conseguiu passar pela Aduana e que provavelmente vendeu. Assim ele tinha um documento para prestar contas ao seu patrão para justificar a não entrega das mercadorias.

Tal fraude é comum nesta fronteira, já havendo registros anteriores do uso dessa tática por parte de laranjas.



Redação Anuncifácil

Fonte: Bonde (Londrina)