Casa de Passagem de C. Procópio é ponto de apoio para a população de rua contra clima frio

O município de Cornélio Procópio vem se constituindo em referência no tratamento de moradores de rua. A Casa de Passagem, programa social implantado durante a atual administração, é mantida pela prefeitura com apoio de algumas entidades sociais e trabalha diuturnamente para minimizar a situação de vulnerabilidade social em que vivem essas pessoas, com estrutura básica para atendê-las. Com espaço para vinte pessoas, é uma espécie de mini albergue onde elas recebem alimentação de boa qualidade, cuidados com a higiene pessoal, roupas limpas e podem passar a noite. Depois, são atendidas conforme suas necessidades.

A casa dispõe de um atendimento onde o usuário pode chegar entre 18 e 21 horas. Lá, recebe um kit de higiene pessoal, toma o seu banho e, se não tem outra roupa, recebe uma troca limpa, calçado e a alimentação. O alimento é servido em parceria entre o município e a Comunidade São José, entidade que tem na sua filosofia de trabalho, o atendimento noturno a pessoas em situação de rua, como também, para alguns que não aceitam ir para outro lugar, preferindo mesmo as ruas.

“Infelizmente, devido à grande incidência de drogas, de álcool, as pessoas vêm tendo como opção de vida, se transformar em moradores de rua. Isto acaba provocando um rompimento de vínculo familiar, com estas pessoas não tendo mais como ir para a família, ou é a própria família que não tem mais interesse em tê-las de volta”, explicou a secretária municipal de Promoção Social, Lúcia de Fátima Cardoso Alves, durante entrevista esta semana a uma emissora de rádio da cidade. Em conjunto com o Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS), ela coordena essa atividade com uma equipe de mais de 10 pessoas, entre serventes, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais.

Atualmente, segundo levantamento do órgão, há de 8 a 10 moradores de rua no município que, em conflito com a família, principalmente por problemas de álcool, não largam a liberdade das ruas e, em alguns casos, até recusam ajuda. No momento, um dos pontos mais visados por eles, e que tem chamado a atenção da comunidade, é o coreto da Praça Brasil, onde se alojam nos sanitários públicos. “Este é um problema sério onde todas as manhãs, fazemos abordagens no local. É quando estão com menos quantidade de álcool e drogas no organismo e, alguns deles, temos conseguido levar para a Casa de Passagem. Outros, entretanto, recusam o atendimento do município”, explica a secretária.

Para a assistente social Miriam Costa, que também trabalha com essas pessoas, muitas pessoas da comunidade ainda não tem conhecimento do que é feito com os moradores de rua. “Hoje, o município está totalmente estruturado com equipe especializada para prestar o atendimento a pessoas em situação de rua. Temos que lembrar que existem entre eles pessoas de várias características. Algumas que já criaram vínculo com o município há algum tempo, envelheceram e que, através das intervenções do Creas e da Casa de Passagem, do CRAS e outros órgãos, conseguiram deixar as ruas. Outros, não conseguem pelo grande envolvimento com o álcool, drogas e, possivelmente, com o tráfico”, avalia a coordenadora do CREAS.

Segundo ela, muitas das pessoas que hoje estão na Praça Brasil têm envolvimento com isto. “O município oferta os serviços, mas infelizmente não temos autonomia e nem é de nossa competência obrigar ninguém a sair da rua ou da praça, como acontece neste momento. O serviço é oferecido; tem os técnicos que vão lá, fazem a abordagem, identificam a situação e se é da cidade. Sendo de outro município, entramos em contato com familiares, compramos a passagem e mandamos para sua origem”, complementa a assistente. A Casa de Passagem fica na Vila Independência, prédio do antigo Mobral. (Comunicação/Prefeitura)