Candidatos carregam a bandeira da maconha em busca dos votos no Rio de Janeiro
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Redação Anuncifácil
Pesquisas indicam que oito milhões de brasileiros já fumaram maconha em algum momento de suas vidas. Outros 1,5 milhão usam a substância diariamente, de acordo com o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), divulgado em agosto pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ainda assim, o assunto continua sendo tabu, ainda mais em época de eleição.
Apesar disso, entre as várias causas com que os candidatos se comprometem, uma delas tem exatamente a maconha como mote. Concorrentes rompem a lógica do politicamente correto e se mostram favoráveis à legalização da erva ou, pelo menos, querem pôr o assunto em pauta. A plataforma, ainda que inusitada e largamente criticada por setores conservadores, é um tema que está presente de formas variadas na vida de boa parte da população.
Atentos a isso e trazendo o verde da maconha em suas bandeiras, pelo menos cinco candidatos veem na questão um nicho eleitoral a ser explorado. "É onde eu posso vencer a eleição, com o apoio do pessoal que apoia a legalização da maconha. Tenho consciência de que a maconha é criminalizada por racismo, porque o hábito de fumar foi trazido pelos negros escravos. O capitalismo industrial é que retirou a maconha do mercado com a entrada da produção do algodão", diz André Barros, candidato a vereador do Rio de Janeiro pelo PT, cuja história política está vinculada a diversos movimentos sociais.
Se as possibilidades podem ser atraentes, os riscos de defender uma causa polêmica também podem acarretar em resultados negativos, como pondera o cientista político e professor de ética e filosofa da Unicamp, Roberto Romano. "No momento da candidatura as pessoas podem propor qualquer coisa, até o fim do mundo, é um direito constitucional delas. O problema é se eles estão usando essa bandeira para se eleger ou porque acreditam mesmo nisso. Se acreditam, precisam ter consciência que boa parte do eleitorado não aceita esse tipo de bandeira e eles terão que aceitar a determinação dessa maioria. É por conta e risco deles", contrapõe Romano.
Concorrente a vereador pelo PSDB, em Florianópolis, Lucas de Oliveira criou um personagem para ilustrar sua campanha a favor da legalização. Utilizando a figura do presidente THC, em referência ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se manifestou recentemente a favor da descriminalização da maconha, o candidato aposta que a apresentação do assunto de uma forma menos estigmatizada pode fazer com que ocorra uma mudança no modo como a sociedade encara o tema.
Cientes de que o assunto extrapola os limites das leis municipais, a intenção dos candidatos é colocar o assunto em pauta, inclusive nas esferas de poder, para que uma nova cultura a respeito do assunto possa ser fomentada.
"Tem avanços de um lado, mas a sociedade é muito conservadora, retrógrada, se constituiu em uma base religiosa muito forte, nutrindo preconceitos fortes. A eleição está servindo para trabalhar no plano cultural e pedagógico, porque tem certas pessoas que não conseguiam ouvir a palavra maconha e, depois de ter sido repetido mil vezes, já não é tão ofensivo, já se torna mais palatável", relata Lucas.
O tucano, presidente licenciado do Instituto da Cannabis e organizador da Marcha da Maconha na capital catarinense, acredita que uma mudança no sistema atual de repressão irá refletir em benefícios para a sociedade em situações cotidianas da vida de todos os cidadãos, como as questões ligadas à segurança e à saúde. "Estamos discutindo uma questão da maior importância, que tem a ver com liberdade e com uma política que pode atingir benefícios para a população em todas as áreas". (Portal Terra)

