Caminhoneiros pretendem parar o país

Sob a liderança de uma organização chamada Comando Nacional do Transporte e sem a participação de nenhuma entidade formal da categoria, os caminhoneiros pretendem cruzar os braços a partir de seunda-feira, dia 9. Mas não querem negociar propostas com o atual governo. A ideia, segundo Ivar Schmidt, um dos expoentes do grupo, é obter a renúncia da presidente Dilma Rousseff (PT). “Nossa categoria pretende negociar com o próximo governante”, afirmou. Ponta Grossa, um dos maiores entroncamentos rodoviários da região Sul do Brasil, é estratégico para o movimento.

Mobilizando-se pelas redes sociais e pelo WhatsApp, os líderes do movimento se juntaram a organizações que pedem o fim do governo do PT, como Movimento Brasil Livre e Vem pra Rua. E estão sendo criticados pelos sindicatos de caminhoneiros, que os acusam de estarem a serviço de interesses políticos partidários. “Consideramos imoral e repudiamos qualquer mobilização que se utilize da boa-fé dos caminhoneiros autônomos para promover o caos no País e pressionar o governo em prol de interesses políticos ou particulares, que nada têm a ver com os problemas da categoria”, afirma o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, em nota publicada no site da entidade.

Para o presidente da CNTA, “os caminhoneiros há muito vêm construindo a sua organização de representação sindical. Não podemos admitir agora que pessoas estranhas, sem histórico algum de representação da categoria, utilizem-se do respeito que o caminhoneiro conquistou junto à opinião pública pela força e importância que exercem na economia do País”, declara.

Para o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos dos Campos Gerais, Neori “Tigrão” Leobert, ainda não é um momento ideal para que essa paralisação aconteça. “O sindicato está aqui para ajudar o caminhoneiro. Só precisamos ver se isso não vai atrapalhar nossos trabalhadores”, conta Leobet. “Cerca de 90% dos caminhoneiros que eu conversei, não estão dispostos a parar”, complementa.

Mesmo não sendo confirmado pela maioria dos trabalhadores, Neori Tigrão alerta que a paralisação pode acontecer. “Nós não vamos obrigar ou incentivar os caminhoneiros a parar, porém isso pode acontecer, devido a alguns deles serem a favor desta paralisação”, diz o presidente. (Com informações do Jornal da Manhã)