"Ascensão do Senhor"
No domingo, solenidade da Ascensão do Senhor, vamos celebrar o que todos os domingos rezamos no Creio: “Ressuscitou ao terceiro, subiu aos céus; está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso”.
No início da Igreja esta celebração coincidia com a solenidade de Pentecostes. Até a primeira metade do século IV, em Jerusalém, no dia de Pentecostes, à tarde, os fiéis se reuniam na igreja construída no local onde, segundo a tradição, Jesus havia subido ao céu. Ali liam as passagens das Escrituras relativas à Ascensão, cantavam hinos e faziam orações. A partir da segunda metade do século IV a Ascensão passa a ser uma solenidade autônoma, celebrada quarenta dias após a Páscoa. No século V, segundo o testemunho de Santo Agostinho, já é conhecida em todo o mundo. A primeira oração eucarística, que data do século IV, refere-se à Ascensão do Senhor e a chama de “gloriosa”. Na Idade Média, a solenidade da Ascensão era celebrada com procissões para comemorar a entrada triunfal de Jesus no céu.
Com a celebração da Ascensão do Senhor, somos certificados de que em Cristo, nossa natureza humana já foi introduzida na glória do céu, pois ele voltou ao Pai “não para afastar-se de nossa humildade, mas para dar-nos a certeza de que nos conduzirá à glória da imortalidade”. Esta é a fé que professamos e rezamos na missa da ascensão: “Ó Deus todo poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois membros de seu corpo, somos chamados na esperança a participar de sua glória”.
Portanto, como nos ensina São Leão Magno, “a ascensão de Cristo, é a nossa exaltação e para lá onde precedeu a glória da Cabeça, é atraída também a esperança do corpo”. São Leão continua e nos conclama: “Exultemos, caríssimos, repletos de gáudio e alegremo-nos com piedosa ação de graças! Hoje não só fomos firmados como possuidores do paraíso, mas até penetramos com Cristo no mais alto dos céus, tendo obtido, pela inefável graça de Cristo, muito mais do que perdêramos por inveja do diabo. Aqueles que o virulento inimigo expulsou da felicidade da habitação primitiva, o Filho de Deus, tendo-os incorporado a si, colocou-os à direita do Pai”.
Junto com a solenidade da Ascensão do Senhor, os católicos do Brasil, desde 1967, também celebram o Dia Mundial das Comunicações Sociais. A sugestão é do Concílio Vaticano II, no Decreto Inter Mirifica, que propõe um dia, a critério do Bispo, para que os fiéis sejam orientados a respeito do uso dos meios de comunicação social e rezem por esta causa. A determinação é da Pontifícia Comissão para as Comunicações Sociais, criada por Paulo VI em 1964, que dispõe que o Dia Mundial das Comunicações Sociais seja celebrado no domingo depois da Ascensão. No Brasil, a Ascensão não é dia de preceito. Por isso é celebrada no domingo seguinte, conforme prevêem as Normas Universais do Ano Litúrgico e Calendário Romano Geral.
Acontece que a Ascensão Senhor é solenidade, ou seja, é uma festa tão importante que começa a ser celebrada na véspera.
É certo que, aos apóstolos que continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia, os anjos recomendaram para não ficarem parados, mas que partissem em missão, “trocando morte por ressurreição”, como muito bem expressou Pe. Antônio Haddad no canto: Ofertamos ao Senhor um mundo novo.
Os meios de comunicação social podem e devem ser instrumentos muito adequados para o anúncio e realização do Reino aqui na terra, e o anúncio de sua plenificação no céu. Nada de mais, portanto, que sejam lembrados na solenidade da Ascensão do Senhor. Não podem, porém, pôr em segundo plano os grandes mistérios próprios da solenidade litúrgica.
Dom Manoel João Francisco
Bispo da Diocese de Cornélio Procópio-PR