Ano Santo da Misericórdia – A Porta Santa

O maior símbolo do Ano Santo da Misericórdia que nestes dias acabamos de iniciar é, sem dúvida a Porta Santa, também dita Porta da Misericórdia. Foi aberta pelo Papa na República Centro Africana, na Basílica de São Pedro, no Vaticano e nas outras três Basílicas Papais em Roma. Nas milhares de catedrais e santuários do mundo inteiro, a Porta Santa foi aberta pelos Bispos em suas respectivas dioceses. Por determinação do Papa Francisco, a Porta Santa pode ser aberta também nas igrejas tradicionalmente identificadas como jubilares. Para os encarcerados, desejosos de vivenciar o Ano Santo, a porta da própria cela poderá ser a Porta Santa da Misericórdia.

No decorrer da história da humanidade, a porta foi usada como símbolo muito forte em todas as culturas e religiões. Uma porta não é uma simples abertura feita em uma parede, ou uma peça de madeira que gira sobre algumas dobradiças. A porta simboliza o lugar de passagem entre dois estados, entre dois mundos, entre o conhecido e o desconhecido, entre a luz e as trevas. Aberta exprime acolhida (Jó 31,32), ou uma possibilidade de agir com liberdade (1Co 16,9). Fechada, significa proteção (Jo 20,19), ou representa uma recusa (Mt 25,10). A Porta tem uma força psicológica muito grande. Não indica apenas uma passagem, mas nos convida a transpô-la, introduzindo-nos no mistério. As portas das igrejas e os portais dos templos são entradas que conduzem a lugares santos, a presença de Deus. Com freqüência se vê escrito nas portas das igrejas este dístico: “Porta do céu” (cf. Gn 28,17; Sl 78,23; Ap 4,1)). Nos países do oriente, na Índia, por exemplo, nas portas de muitos templos encontram-se estátuas de animais ferozes, significando que aquele lugar não pode ser profanado por estranhos. Por aquela porta só podem passar quem for digno, ou seja, quem já for “iniciado”. O livro do Apocalipse parece aludir a esta prática quando afirma: “”Felizes os que lavaram suas vestes, pois assim poderão dispor da árvore da vida e entrar pelas portas” (Ap 22.14).

Os latinos tinham um deus que guardava as portas, principalmente a porta do tempo. Chamava-se Janus. Porta em latim é janua. Janus tinha em suas mãos as chaves que abriam as quatro estações do ano.

Nas tradições judaica e cristã a importância da porta é imensa. Através da porta temos acesso à revelação. “Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; poderá entrar e sair, e encontrará pastagem”(Jo 10,9). “O Cristo, escreve São Clemente de Alexandria, é a porta da justiça, porque foi dito no Salmo: “abri-me as portas da justiça: entrarei para dar graças ao Senhor. É esta a porta do Senhor, os justos entram por ela” (Sl 118,19-20).