Ano Santo da Misericórdia

No último dia 08, terça feira, celebramos a solenidade da Imaculada Conceição de Maria e o cinqüentenário do encerramento do maior evento eclesial do século passado: o Concílio Vaticano II.

O último dia 08 foi também escolhido pelo Papa para iniciar o Ano Santo da Misericórdia. Segundo suas palavras, ele escolheu esta dada por causa das duas celebrações antes citadas.

Na opinião do Papa, a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria “indica o modo de agir de Deus desde os primórdios de nossa história. Depois do pecado de Adão e Eva, Deus não quis deixar a humanidade sozinha e à mercê do mal.

Por isso, pensou e quis Maria santa e imaculada no amor (cf. Ef 1,4), para que se tornasse Mãe do Redentor do ser humano. Perante a gravidade do pecado, Deus responde com a plenitude do perdão. A misericórdia será sempre maior do que qualquer pecado. Ninguém pode colocar um limite ao amor de Deus que perdoa”.

Por isso, continua o Papa, “na solenidade da Imaculada Conceição, terei alegria de abrir a Porta Santa. Será então uma Porta da Misericórdia, onde qualquer pessoa que entre poderá experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e dá esperança”.

O cinqüentenário de encerramento do Concílio Vaticano II, por sua vez, nos faz lembrar que neste Concílio foram derrubados os muros que por muito tempo tinham fechado a Igreja numa cidadela.

O Ano da Misericórdia quer trazer de novo à nossa memória as palavras que o Papa São João XXIII pronunciou por ocasião da abertura daquele evento memorável: “Nos nossos dias, a Esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia que o da severidade. (...). A Igreja católica, levantando por meio deste Concílio Ecumênico o facho da verdade religiosa, deseja mostrar-se mãe amorosa de todos, benigna, paciente, cheia de misericórdia e bondade com os filhos dela separados”.

O Ano Santo da Misericórdia irá terminar no dia 20 de novembro de 2016, Solenidade litúrgica de Jesus Cristo, Rei do Universo. Aqui o Papa tem também seus motivos para a escolha da data. É seu desejo, com esta celebração, confiar a Igreja, a humanidade e todo o imenso universo à Realeza de Cristo, para que derrame sua misericórdia, como o orvalho da manhã (...), e “os anos futuros sejam permeados de misericórdia”. Só assim poderá chegar a todos, crentes e afastados, “o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de nós”.

No domingo dia 13, por determinação do Papa Francisco, nós também estaremos iniciando o Ano da Misericórdia, na nossa Catedral. Na missa das 19,30, iremos abrir a Porta Santa da Misericórdia. Com este gesto, o Papa Francisco, pensa envolver diretamente as Igrejas particulares, ou seja, as Dioceses, “na vivência deste Ano Santo como um momento extraordinário de graça e renovação espiritual” e “como sinal visível da comunhão da Igreja inteira”.

O logotipo do Ano Santo é uma criação do Padre Jesuíta, Marko I. Rupnik. Representa a figura do Bom Pastor, mas com um detalhe muito significativo. Em vez de uma ovelha, Jesus carrega nos ombros um ser humano.

O artista quis mostrar que o Bom Pastor, com extrema misericórdia carrega sobre si a humanidade. O desenho apresenta outro detalhe que não pode ficar despercebido. Os dois rostos, o de Jesus, Bom Pastor, e o da pessoa se tocam. Os olhos se confundem de tal forma que nos rostos aparecem apenas três olhos. O artista quer chamar a atenção para a força da misericórdia.

A pessoa que for tocada por ela passa a ver o mundo com os olhos de Deus e se torna “Misericordiosa como o Pai”. Na verdade, a pessoa tocada pela misericórdia, não apenas vê a aflição dos irmãos, mas, como Deus, no livro do Êxodo, também ouve o grito de socorro diante dos opressores, toma conhecimento de seus sofrimentos, e desce para libertá-los e fazê-los sair da situação de pecado para uma realidade de reconciliação e de paz.

A uma pessoa tocada pela misericórdia nada deste mundo lhe é indiferente. “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as suas alegrias e esperanças, as suas tristezas e suas angústias (cf. GS 1).

A pessoa tocada pela misericórdia, a exemplo do Papa Francisco, não se cala e com toda energia pede mudança diante de um mundo que abriga tantos agricultores sem terra, tantas famílias sem casa, tantos trabalhadores sem direitos, e onde explodem guerras insensatas, e a terra é devastada.

Vamos passar pela Porta Santa. Deixemo-nos tocar pela misericórdia e esforcemo-nos para ser “misericordiosos como o Pai”.