10ª Semana Diocesana do Dízimo

Segundo o calendário de nossa Diocese, no próximo domingo inicia-se a 10ª Semana Diocesana do Dízimo. Nas Paróquias, com certeza, a Pastoral do Dízimo vai promover celebrações e outras atividades, tendo em vista uma maior conscientização de todos sobre esta prática cristã.

Aproveito a oportunidade para, nesta pequena mensagem que envio todas as semanas, fazer rápidas observações e dar algumas orientações.

A prática do dízimo nasce, antes de tudo, de uma experiência profunda de Deus infinitamente bondoso e infinitamente indulgente.

Da bondade de Deus recebemos tudo o que somos e temos. Justamente por ser o Deus de bondade e a fonte da vida, ele fez todas as coisas. Criou o homem e a mulher apenas um pouquinho menores do que ele mesmo. Coroou-os de glória e poder, submetendo-lhes todo o universo (Sl 8,6-9). Mais bondade do que isso, não seria possível. 

Por causa de sua indulgência, a exemplo do filho pródigo, somos acolhidos e aceitos com abraços, beijos e festas, embora tenhamos, por nossa desobediência, perdido sua amizade. Nossa redenção não foi barata. Nós custamos muito mais do que ouro e prata. Fomos comprados pelo “precioso sangue de Cristo, cordeiro sem defeito e sem mancha”(1Pd 1,19).

A gratidão faz parte da natureza humana. A falta de gratidão é sinal de que estamos nos desumanizando. O próprio Cristo estranhou quando, dos dez leprosos curados, apenas um voltou para agradecer (cf. Lc 17,11-19).

A prática cristã do dízimo está neste contexto de gratidão. O livro do Gênesis relata que Abraão, após uma ação bélica em que resgatou seu sobrinho Lot que havia sido seqüestrado, agradecido pela vitória e pela bênção recebida, entrega ao sacerdote Melquisedec o dízimo de tudo o que retomara dos seqüestradores (cf. Gn 14,1-24; Hb 7,2.5). Mais tarde, quando o Povo de Israel já havia se estabelecido na terra que Deus lhe tinha reservado, os israelitas espontaneamente (cf.Ex 35,20-29), ofereciam em sinal de gratidão as primícias de suas atividades agrícolas, fazendo a seguinte oração: “Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito com um punhado de gente e ali viveu como estrangeiro. Mas ele tornou-se um povo grande, forte e numeroso. Então os egípcios nos maltrataram e oprimiram, impondo-nos uma dura escravidão. Clamamos então ao Senhor, Deus de nossos pais e o Senhor ouviu nossa voz e viu nossa opressão, nossa fadiga e nossa angústia; o Senhor nos tirou do Egito com mão forte e braço estendido, no meio de grande pavor, com sinais e prodígios, e nos introduziu neste lugar, dando-nos esta terra, terra onde corre leite e mel. Agora, pois, trago os primeiros frutos da terra que tu me deste, Senhor” (Dt 26,5-10).

Com o correr do tempo, o que era espontâneo passou a ser legislado, com prescrições minuciosas. O que era gratidão passou a ser obrigação. O sentido profundo da oferta se esvaziou, tornando-se puro rito exterior que não agradava mais a Deus, como muito bem denuncia o profeta Isaías: “Parai de trazer oferendas sem sentido! (...). Quando estendeis as mãos para mim, desvio o meu olhar. Ainda que multipliqueis orações, de forma alguma atenderei, porque vossas mãos estão sujas de sangue” (Is 1,13.15).

Também Jesus em sua pregação faz questão de lembrar que a prática do dízimo precisa ser fruto da gratidão, da misericórdia, da justiça e do amor a Deus. Nunca simples obrigação legal (Mt 23,23; Lc 11,42). Além disso, para Jesus, a oferta do dízimo precisa ser generosa. O que se pede não é quantidade, mas generosidade. Neste sentido as duas moedas da pobre viúva, diante de Deus, significaram muito mais do que a oferta dos ricos. Embora depositassem grandes quantias, o faziam sem generosidade. Ofereciam apenas o supérfluo, o que não lhes fazia falta (cf. Lc 21,2). 

Que a 10ª Semana Diocesana do Dízimo possa ser mais uma oportunidade para que nossos fiéis aprofundem sua fé, experimentem em suas vidas a bondade, a misericórdia e a indulgência de nosso Deus e lhe correspondam com muita gratidão e grande generosidade, participando do dízimo, conforme tiverem decido em seus corações, sem pesar nem constrangimento, certos de que quem semeia pouco também colherá pouco, e quem semeia com largueza colherá também com largueza, pois Deus ama a quem dá com alegria (2Cor 9,6-7). 

Dom Manoel João Francisco

Bispo da Diocese de Cornélio Procópio