10ª Festa da Unidade

Aproxima-se o dia da nossa 10ª Festa da Unidade. Será na Paróquia de Santa Ana, município de Sapopema, no dia 14 de junho.

Talvez alguém se pergunte: Por que uma Festa da Unidade? Neste sentido, é bom lembrar, sempre de novo, que a unidade é uma dimensão constitutiva do ser cristão. Viver na unidade nos identifica como Igreja de Cristo.

Assim como somos convidados a ser santos porque nosso Deus é santo (Lv 11,44; 19,2; 20,7; 20,26; 1Pd 1,15-16), da mesma forma, precisamos viver na unidade porque nosso Deus, embora seja três pessoas distintas, na verdade é um único Deus.

A Igreja é na terra o que Deus é no céu. Como no céu, o Pai, o Filho e o Espírito Santo constituem um único Deus, na terra milhares de pessoas formam o único Corpo de Cristo que é a Igreja. São Paulo afirma esta verdade de forma clara e cristalina.

Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sendo muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo. (...). Vós todos sois o Corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse Corpo (1Co 12,12-13.27)”.

São Cipriano de Cartago, na sua exortação sobre a “Unidade da Igreja Católica”, faz a seguinte afirmação: “O Senhor, no Evangelho, querendo mostrar-nos em breve resumo a senda da nossa fé e da nossa esperança, disse: ‘O senhor teu Deus é um só’, e continua: ‘Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com toda a tua força’. Eis o primeiro mandamento. E o segundo mandamento é: ‘Amarás teu próximo como a ti mesmo. Nestes dois mandamentos fundamenta-se toda a lei e também os profetas’.

Com a sua autoridade ensinou, ao mesmo tempo, a unidade e o amor. Em dois preceitos compendiou a lei e todos os profetas. Mas que unidade observa, que amor pensa praticar aquele que, como doido pelo furor da discórdia, divide a Igreja, destrói a fé, perturba a paz, aniquila a caridade, profana o sacramento?”. 

A unidade é que dá credibilidade à pregação do evangelho, pois toda a atividade de Jesus Cristo foi para reunir num só o povo de Deus disperso (Jo 11,51-52) e constituir um só rebanho sob os cuidados de um só pastor (Jo 10,16). Consciente da relação entre a adesão à sua mensagem e a unidade entre seus seguidores, Jesus, na véspera de sua paixão, recita a célebre oração: “Pai para que todos sejam um, assim como tu e eu somos um (cf. Jo 17 ).

Comentando esta oração, o mesmo São Cipriano citado acima exclama: “Como é grande a benignidade e a piedade do Senhor para a nossa salvação. Não se contentou em nos remir com o seu sangue, mas quis ainda mais orar por nós. E vede o objeto de sua oração: como o Pai e o Filho são um, assim também nós permaneçamos na mesma unidade. Isto nos faz compreender quão gravemente peca aquele que quebra a unidade e a paz”.

Além de dom recebido, a unidade é também meta a ser alcançada. Como para outras dimensões da fé, também com relação à unidade, vivemos o regime do “já” e do “ainda não”. Daí seu caráter processual. A unidade está em construção. Nós somos operários desta construção. Não podemos desanimar, pelo contrário, como pede o lema que escolhemos, cada vez mais, precisamos ser “solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da Paz (Ef 4,3)”.  

 

Dom Manoel João Francisco

Bispo da Diocese de Cornélio Procópio