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    Redação Anuncifácil

     

    Com a celebração do 1º Domingo do Advento, no último dia 03 de dezembro, estaremos iniciando um novo ano litúrgico. É bom esclarecer que o ano litúrgico não coincide com o ano civil que termina no dia 31 de dezembro à meia noite e se inicia, no mesmo instante, dia 1º de janeiro. Isto não acontece apenas com o cristianismo. Nas outras religiões também é assim. Os judeus iniciam seu ano religioso no mês de setembro, os muçulmanos no mês de julho e os chineses em fins de janeiro e início de fevereiro.

    O ano litúrgico dos cristãos se divide em dois ciclos: o de Natal e o da Páscoa. Cada um desses ciclos tem um tempo de preparação, outro de celebração e outro ainda de prolongação.

    No próximo domingo, como já foi dito, estaremos iniciando o tempo do Advento que é a preparação para o Natal. Advento significa vinda ou chegada. Neste período, ao mesmo tempo que fazemos memória da primeira vinda de Cristo, nós nos preparamos para a sua segunda vinda. Como rezamos no “Creio em Deus Pai”, no fim dos tempos, Cristo vai vir para “julgar os vivos e os mortos”. Além da primeira e da segunda vinda, existe uma terceira vinda de Cristo. Certa vez ele disse: “Se alguém me ama, meu Pai o amará e viremos a ele e dele faremos nossa morada” (Jo 4,33). Durante o Advento somos convidados a nos envolver com esta tríplice vinda do Senhor. Fizemos memória da primeira vinda, na medida em que preparamos o Natal, montando o presépio e organizando o ambiente com outros símbolos natalinos. Dispomo-nos a acolhê-lo em sua Palavra, nos sacramentos, especialmente na Eucaristia, e na pessoa dos irmãos, particularmente dos mais pobres e injustiçados. E, numa perspectiva profética, olhamos para o futuro, vislumbrando a volta do Senhor em poder e glória, acompanhado de todos os anjos, para nos convidar “vinde benditos de meu Pai! Recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo!” (Mt 25,34). Assim conscientizados, compreenderemos melhor os textos propostos para serem proclamados e rezados nos vários momentos celebrativos, especialmente nas missas e na liturgia das horas.

    Os textos bíblicos proclamados durante o tempo do Advento destacam de modo especial três personagens: o profeta Isaías, o precursor João Batista e a mãe do Messias, a Virgem Maria.

    Isaías representa todos os justos de todos os tempos que desejam ardentemente a vinda do Salvador e com ele súplicam: “Céus, destilai o orvalho lá do alto, nuvens, despejai como chuva a justiça! Abra-se a terra, e desabroche a salvação!” (Is 45,8). Esta oração de Isaías é muito conhecida e repetida em diversas versões, durante o Advento. Uma das versões mais populares foi composta no século XVII e tem a seguinte letra:

     

    Ó vinde, enfim, eterno Deus,

    Descei, descei dos altos céus.

    Deixai a vossa habitação,

    Que a terra espera a salvação.

    Que o céu roreje o Redentor,

    Baixai das nuvens, ó Senhor!

    Germine a terra o nosso Deus

    Pra que nos abra os altos céus.

    Por que tardais, ó bom Jesus,

    Em rebrilhar na vossa luz?

    Em treva densa o mundo jaz;

    Trazei a luz, o amor e a paz!

    Ó vinde, enfim, Senhor, a nós,

    Ressoe no mundo a vossa voz.

    No mundo brilhe o vosso olhar.

    Ó vinde, enfim, sem demorar.

     

    O segundo personagem destacado pelo Advento é João Batista. Ele é o precursor do Messias. Sua vida, sua palavra e sua pessoa são uma preparação à vinda do Cristo. João Batista faz do Advento um tempo de penitência. Suas palavras: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para ele. Todo o vale será aterrado; toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas serão endireitadas, e os caminhos esburacados, aplanados” (Lc 3,4-6), são palavras que nos exortam a uma verdadeira renovação de vida, a uma conversão.

    A terceira figura que brilha de forma extraordinária no tempo do Advento é a Virgem Maria, nossa Senhora. Deus em seu desígnio de salvação quis vir morar no meio dos homens e das mulheres de forma muito singela e humilde. Ele podia ter usado meios extraordinários para se manifestar a nós. Mas não foi assim. Para ser um “Deus conosco” um “Emanuel” pediu a colaboração de uma humilde mulher, a Virgem Maria. Nela, o Verbo se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14).

    O Advento é, portanto, nitidamente, um tempo de desejo, de aspirações e de expectativa.

    No Pai Nosso fazemos este pedido: “Adveniat regum tuum”, ou seja, “venha nós o vosso Reino”. Este é um pedido que, de forma ardente, devemos fazer durante as quatro semanas do Advento.


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