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    Redação Anuncifácil

     

    No último domingo (26), solenidade de Cristo Rei, a Igreja do Brasil deu início ao “Ano do Laicato” instituído na última Assembleia dos Bispos do Brasil em Aparecida.

    O objetivo é celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade e comemorar os 30 anos do Sínodo Ordinário sobre os Leigos (1987) e da Exortação Apostólica Christifideles Laici que o Papa São João Paulo II publicou a partir das reflexões feitas pelos Bispos durante o mesmo Sínodo.

    Os documentos da Igreja têm repetido com insistência que os leigos e as leigas devem ser os protagonistas no trabalho de evangelização da Igreja. É também frequente, nos mesmos documentos, a constatação de que a grande maioria dos leigos e das leigas ainda não se sente à vontade para exercer sua missão.

    Talvez a história da Igreja possa nos dar uma chave de leitura para esta espécie de bloqueio dos nossos irmãos leigos e leigas.

    Nos primeiros séculos a distinção entre clérigos e leigos não causou nenhuma tensão. Foi um período de grande vivacidade e dinamismo dos leigos na Igreja. Os primeiros teólogos são quase todos leigos, como Justino, Tertuliano e Próspero de Aquitânia. Entre os ascetas e mártires encontra-se também um grande número de leigos e de leigas. Eles e elas constituíam vinculo indispensável entre a Igreja e a sociedade civil.

    O tempo passou. A partir da Idade Média a situação foi sendo modificada. Na liturgia, os leigos passaram de participantes a simples assistentes. Na cultura, de protagonistas a total desqualificação. O que era distinção entre pastores e fiéis, no início da Igreja, passou a ser divisão e até oposição. De um lado o clero, os espirituais e de outro lado os leigos, os carnais. Os dois grupos foram separados inclusive no edifício-igreja: o clero no presbitério e os leigos na nave. Os leigos passaram a ser cristãos moralmente desqualificados e de segunda categoria. Não lhes era permitido assumir nenhuma função ativa na Igreja, conforme atestam estas palavras do Papa Leão XIII, numa carta ao Arcebispo de Tours: “É, com efeito, constante e manifesto que na Igreja existem duas ordens bem distintas por sua natureza – os pastores e o rebanho, ou seja, os chefes e o povo. A primeira ordem tem como missão, ensinar, governar e dirigir os homens na vida, impondo regras; a outra tem por dever ser submissa à primeira, obedecer, executar suas ordens e prestar-lhe honra”.

    Os documentos do Concílio Vaticano II superaram qualquer resquício de separação e colocaram os leigos, ao menos teoricamente, na posição em que se encontravam na Igreja primitiva. O Decreto Presbyterorum Ordinis, por exemplo, lembra a “igualdade radical” de todos os cristãos, sem distinção de função ou ofício. Em seguida faz esta recomendação: “Reconheçam e promovam os Presbíteros sinceramente à dignidade dos leigos e suas incumbências na missão da Igreja. Acatem conscienciosamente a justa liberdade que é quinhão de todos na cidade terrestre. Ouçam com gosto os leigos, apreciando fraternalmente seus desejos, reconhecendo sua experiência e competência nos diversos campos da atividade humana, para poderem junto com eles verificar os sinais dos tempos. (...). Da mesma forma entreguem com confiança tarefas aos leigos para o serviço da Igreja, deixando-lhes liberdade e possibilidade de agir, convidando-os a enfrentar obras também por sua iniciativa” (PO 9; cf. também LG 37). É praticamente o oposto do que afirmara Leão XIII.

    Cinquenta anos já se passaram e estas orientações do Concílio Vaticano II ainda não foram plenamente acolhidas. Um longo caminho nos resta percorrer. No dizer do Papa Francisco, este caminho passa pela superação “do clericalismo que torna infantis os cristãos leigos e empobrece a identidade dos ministros ordenados”. E num outro momento, referindo-se às mulheres leigas, pediu: “Por favor, não as reduzamos a servas de nosso clericalismo recalcitrante; mas sejam, ao invés, protagonistas na Igreja latino-americana: no seu sair com Jesus, no seu perseverar, mesmo no meio do sofrimento do seu povo, no seu agarrar-se à esperança que vence a morte, na sua maneira jubilosa de anunciar ao mundo que Cristo está vivo” (Aos Bispos do CELAM 07/09/2017).

    Tudo isso pede de nós conversão pessoal e pastoral. Que o “Ano do Laicato” possa se constituir numa oportunidade para “estimular a presença dos cristãos leigos e leigas, verdadeiros sujeitos eclesiais (DAp 497a), como sal, luz e fermento na Igreja e na sociedade”.


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