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    » Em Cornélio Procópio comunidade à espera de obras da Escola Estadual William Madi



    Redação Anuncifácil

     

    No papel a construção da unidade própria da Escola Estadual William Madi, em Cornélio Procópio, está 99% concluída. Porém, quem passa pela Avenida da Integração, vê poucas paredes sem reboco, totalmente abandonadas. Segundo o Ministério Público do Paraná, o Estado destinou R$ 4,3 milhões para as obras, que iniciaram em abril de 2014, mas, na prática, menos de 5% foi concluída (desvio de R$ 4,1 milhões). As obras da escola está entre as envolvidas na Operação Quadro Negro, deflagrada em julho de 2015, que foram embargadas pelo Tribunal de Contas do Estado, por suspeita de desvio de recursos.

    A Escola Estadual William Madi atende 135 alunos carentes de Cornélio Procópio, do 5º ao 9º ano, é a única com ensino integral (apenas no 6º ano). Desde sua criação, em 1996, ela funciona, de forma precária, em seis salas cedidas no prédio do Centro de Atendimento Integral à Criança (Caic), no Jardim União, um dos bairros mais pobres da cidade. O espaço é dividido entre 400 alunos, da creche ao 9º ano, além de um posto de saúde que funciona no local. "Os banheiros, refeitório, a quadra, anfiteatro, tudo tem que ser repartido. A segurança é preocupante, pois não há controle de quem entra. Nossos alunos não possuem biblioteca ou salas de apoio próprio, são pouquíssimos recursos", informa a diretora da escola, Regina Michelato.

    A previsão era construir uma estrutura de 2,9 mil m², com capacidade para 1.200 alunos, e implantação de ensinos médio e profissionalizante. "Nossa demanda é grande, pois atendemos crianças de 22 bairros carentes. Pelo projeto poderíamos ampliar o ensino integral, o que seria muito importante para essa comunidade, pois tiraria os jovens das ruas, dando melhor qualidade de vida", afirma Regina.

    Não há colégio com ensino médio nesta região da cidade. Para chegar ao mais próximo são 5 km de caminhada, atravessando a PR-160. A continuidade da obra já resultou em mobilizações por parte da comunidade. "Houve protesto no bairro, com pneus queimados. Os pais vieram discutir com a direção. Tivemos que chamar os responsáveis no Núcleo Regional de Educação para explicar à comunidade, e esclarecer que nunca nos foi permitido fiscalizar a obra. Ficamos sabendo dos fatos pela imprensa, assim como todos", afirma a pedagoga da escola, Valdineia Salvador. Segundo a diretora, a escola possui um conselho formado por professores, funcionários, pais e membros da comunidade.

    Segundo o procurador de Justiça do Ministério Público, Leonir Batisti, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o dinheiro teria custeado a campanha para o governo do Estado em 2014, conforme delação premiada do diretor da construtora responsável, a Valor, Eduardo Lopes de Souza.

    As investigações já resultaram em prisões e bloqueio de bens dos envolvidos. A responsabilidade do governador Beto Richa também está sendo apurada junto à Procuradoria-Geral da República. Em matéria publicada pela FOLHA (01/09/2017) o governador afirmou que nunca teve nenhum contato com Souza e sequer fez ou pediu para alguém fazer qualquer solicitação a ele para a campanha eleitoral de 2014. Disse ainda que todas as doações eleitorais referentes à eleição de 2014 seguiram a legislação vigente e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

    Na mesma matéria, a Seed (Secretaria de Estado da Educação), informou que foi a primeira a investigar os indícios de disparidades em medições de obras de escolas. Foi aberta auditoria interna em 2015 para apuração da situação e os dados foram encaminhados à Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Contas, para que cada órgão tomasse as providências cabíveis. A Seed informou que também reforçou seus departamentos de controle interno e de auditoria após o episódio.

    Em nota, o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), que gerencia a construção de escolas no Estado, informou que "... o processo para finalizar as obras da unidade nova William Madi, em Cornélio Procópio, aguarda serem indicados recursos na Secretaria de Estado da Fazenda". Não foram repassadas informações sobre o cronograma das obras ou previsão de gastos.

    A reportagem tentou contato com a Construtora Valor, mas esta informou que irá se manifestar apenas em juízo.

    No dia 1º de agosto, o Ministério Público entrou com ações civis públicas para reaver o desvio de verbas em sete escolas nas cidades de Cornélio Procópio, Curitiba, Rio Negro, Coronel Vivida, Santa Terezinha do Itaipu e duas em Campina Grande do Sul, entre 2013 e 2014. Outras obras escolares continuam em investigações. Os prejuízos aos cofres públicos somam mais de R$ 20 milhões. (Com reportagem especial de Rubia Pimenta para o jornal Folha de Londrina / Foto: Carol Santos)


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